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Microsoft faz parcerias com AMD e Qualcomm em produção de novos processadores

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Dentre os vários lançamentos de hoje (2), a Microsoft revelou duas parcerias que expandem o mercado, saindo do que já vinha sendo praticado há anos pela empresa.

Microsoft e AMD | Ryzen Surface Edition

Os novos Surface Laptop 3 e Surface Pro X não contam com processadores Intel. Aliás, o modelo de 13″ do Laptop 3 tem intel, no entanto o modelo de 15″ vem com um Ryzen Surface Edition, modelo personalizado, projetado em parceria entre Microsoft e AMD. Essa parceria foi em busca de uma otimização do tamanho dos Ryzen 5 e Ryzen 7 Surface de 12nm e para uma adição de um núcleo gráfico aos processadores. Tendo em vista o tamanho e espessura do Surface, esse trabalho precisa ser realmente eficiente, para evitar problemas de super aquecimento e gargalos em processos pesados.

“Vários anos atrás, nos encontramos com Pavan Davuluri e Panos Panay, e tínhamos uma visão compartilhada com a Microsoft para reinventar o laptop e criar essencialmente o melhor laptop do mundo. Passamos literalmente dezenas de milhares de horas de co-desenvolvimento e engenharia juntos com a Microsoft, não apenas otimizando a CPU e a GPU, mas também o gerenciamento geral de energia do sistema, caneta, toque, largura de banda de memória, firmware e drivers para oferecer o mais alto desempenho de laptop gráfico de todos os tempos, em um formato muito fino e leve. ”

Declarou Jack Huynh, gerente geral do grupo semi-personalizado da AMD, ao The Verge

“Esse trabalho que fizemos com a equipe de hardware, a equipe de software e a equipe de silício nos permitiu oferecer o melhor desempenho de CPU comercializado da AMD nesse formato. A razão pela qual construímos a parte Ryzen AMD foi a capacidade de garantir o melhor desempenho da GPU da categoria, com a mesma potência e desempenho em que tradicionalmente construímos os Surface Laptops”

Explicou Pavan Davuluri, engenheiro da Microsoft Surface, em entrevista ao The Verge.

Essas declarações acima deixa claro que os engenheiros Microsoft e AMD estiveram trabalhando juntos, até mesmo no mesmo ambiente físico, afim de garantir um processamento potente, inclusive na parte gráfica.

Os chips Ryzen Surface Edition foram projetados para trabalhar a 15 watts e é capaz de escalar entre 20 e 25 wattz. A Microsoft e AMD também alegam que esses novos processadores podem superar em até 70% o poder gráfico do MacBook Pro concorrente. Certamente será um passo significativo do que estamos acostumados a ver nos chips gráficos integrados aos processadores Intel.

O poder de processamento do novo Surface Laptop 3 é comparável ao Xbox One, no entanto isso é bom para usos gráficos de produtividade, como edição de vídeos e imagens. O que se espera é que o processamento de jogos ainda rode no mínimo, talvez na resolução mediana dependendo do jogo. Seria necessário testes para que isso se confirmasse.

Outra promessa é com relação a bateria. Segundo a Microsoft, firmware, software e toda a arquitetura dos processadores Ryzen Surface Edition foram pensadas também para que o notebook possa rodar bastante com apenas uma carga na bateria, porém não foi dito quanto tempo é estimado.

Microsoft e Qualcomm | SQ1 7nm

Sendo esse uma versão modificada do já anunciado 8cx da Qualcomm, a Microsoft se aventura mais uma vez na arquitetura ARM com a esperança de fazer diferente do que já vimos com o Surface RT e Surface 2. Esses modelos antigos apresentaram uma série de incompatibilidade de sistema, com aplicativos e também desempenho, quando comparados as versões PRO dos mesmos, que utilizavam uma plataforma da Intel para processamento.

Davuluri também declarou que uma das maiores dificuldades nas versões ARM anteriores não havia silício suficiente que desse ao Surface Pro X potência suficiente. Sim, o Surface Pro X não é um projeto recente, mas ele só pôde ser colocado no mercado agora, uma vez que a tecnologia conseguiu amadurecer suficientemente para isso.

“O Microsoft SQ1 oferece o melhor desempenho da CPU para Windows em dispositivos Snapdragon. É um processador octa-core e possui o primeiro e mais rápido CPU Kryo de 3GHz. Esses núcleos Kryo também servem para o Windows equilibrar os núcleos entre núcleos de alto desempenho e núcleos com economia de energia, e é claro que esses núcleos com eficiência energética são ótimos para tarefas em segundo plano, o que, por sua vez, contribui para redesenhar fundamentalmente a plataforma para uma ótima duração da bateria.”

Pavan Davuluri, engenheiro da Microsoft Surface, para o The Verge

O desempenho da GPU é de 2,1 teraflops, no entanto, esse poder não pode ser realmente aproveitado no Windows em uma arquitetura ARM, pois os programas geralmente são emulados, os jogos OpenGL não são suportados. Contudo, para compartilhar sua tela com mais de um monitor 4K via USB-C é algo perfeitamente simples, o que não traz o público para esse tipo de máquina.

Sabemos que a Adobe já prometeu um pacote completo para o iPad, que também utiliza a arquitetura ARM em seu SoC, facilitando talvez a migração desses aplicativos para a plataforma da Qualcomm. Se isso acontecer logo, o uso dessa máquina pode ser significativamente superior e interessante. Uma combinação de leveza, fina espessura e suporte ao 4G, com uma boa duração de bateria, dão possibilidades maiores para os usuários que não trabalham sempre em um mesmo lugar.

À medida que o mundo muda de aplicativos tradicionais para muitos aplicativos com script e mecanismos da Web, descobrimos que as cargas de trabalho para renderização na Web podem ser um consumo significativo da capacidade da GPU. É realmente pensar no Surface Pro X como um dispositivo que permite futuras cargas de trabalho para aplicativos e serviços que não foram concebidos hoje.”

Explica Davuluri ao The Verge.

Miguel Nunes, chefe de produtos e computação da Qualcomm falou um pouco sobre esse trabalho em parceria com a Microsoft, esclarecendo que esses incrementos não serão repassados para outras fabricantes de PCs e Notebooks, mas que será algo exclusivo da Microsoft.

 Estamos trabalhando para habilitar muitos desses recursos para o setor, mas o trabalho específico no SQ1 é para o Surface Pro X”

Miguel Nunes ao The Verge

O que se pode esperar dessa parceria? Bom, temos duas marcas com nomes de grande peso na jogada. A Microsoft com sua linha Surface que faz bastante sucesso no mercado (uma pena ainda não ter chegado no Brasil), e a Qualcomm, líder na venda de SoC’s para dispositivos móveis.

O desenvolvimento de aplicativos e a migração de softwares para a arquitetura ARM não tem evoluído como se esperava, no entanto podemos esperar que a parceria atraia os programadores.

Por outro lado, conforme tudo que já vivenciamos com os smartphones da linha Lumia da Microsoft e seu sistema mobile, Windows Phone/Windows 10 Mobile, vimos que depender da boa vontade das fabricantes para migrarem seus serviços e softwares para uma outra plataforma não é uma tarefa fácil. A Microsoft tem que estar disposta a brigar de verdade para que esse projeto dê certo e para seguir um caminho completamente diferente do que foi com sua divisão de smartphones.

Dar o nome Surface Pro X é uma atitude ousada que levará a muitas comparações entre com o Pro que carrega um Intel ou AMD. Não rodar o Photoshop, não ter um aplicativo específico que temos no sistema padrão, pode causar uma cascata de críticas e assim a queda nas buscas pelo produto nas prateleiras.

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