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Morto não fala

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Filmes de terror já não dão medo há um tempo, e os brasileiros então, sempre foram vistos com um preconceito e uma crítica negativa de um modo geral.

Para minha surpresa, Morto Não Fala seguiu um caminho completamente oposto ao que se espera de um filme de terror nacional, se equiparando bastante ao que temos no exterior. Apelando, inclusive, aos mesmos elementos de suspense, sonorização e deixando o medo de lado.

Muitos momentos são forjados de grande tensão, levando o espectador a uma inquietude na poltrona. Ao menos, foi o que consegui observar de quem estava a minha volta na sala do cinema.

A história

Baseado em um conto de Marco de Castro, sob a direção de Dennison Ramalho e escrito também por Dennison, com parceria de Claudia Jouvin, a trama acontece em São Paulo, na periferia. Stenio (Daniel de Oliveira), um plantonista noturno de um necrotério, possui um dom de conversar com gente morta. Nesse começo, sua atenção precisa ser nesse ponto, pois a partir daí que todo o rolo começa.

Após alguns corpos, Stenio ouve de um dos mortos alguns segredos sobre a vida que levava, como chegou até ali e um pedido de justiça, afinal, uma pessoa próxima o entregou para a morte. Logo em seguida, outro corpo chega, um bandido que morava no bairro de Stenio. Os dois começam a conversar, o morto começa a falar pra ele abrir o olho, muita coisa acontecendo que Stenio precisava ficar esperto. Desconfiado, o paranormal vai averiguar se de fato aquilo tudo era real.

Juntando A+B, Stenio toma decisões que vão interferir na vida de sua família, amigos e vizinhos, como também em seu emprego. E é a partir desse ponto que tudo começa a ficar assustador.

Elementos que compõem um clímax de terror

Como eu citei, há muitos momentos em que se percebe a inspiração em obras internacionais e eu não acho que isso diminua a obra, pelo contrário, isso traz um elemento que faltava nos filmes brasileiros. De uma forma correta, com uma sacada bastante atual, apostando nos clichês de forma correta e em pontos que não são tão clichês.

Eu posso ter sido confuso no parágrafo acima, mas ou era isso, ou eu te dou algum spoiler, e isso não seria justo com quem está lendo antes de ver o filme, por outro lado, se justifica quando você vê o filme e entende onde se espera uma situação que parece óbvia, mas não se usa o óbvio.

Saber o que esperar, mas ao mesmo tempo ser surpreendido de forma positiva é um ótimo artifício para qualquer obra. Quando isso se aplica no gênero específico, que nesse caso é o terror, o filme cumpre sua função de assustar, dar medo.

Sonorização e montagem

Há algum tempo eu tenho me apegado bastante nos detalhes de obras que prometem renovar algo que está caindo em detrimento pela massa, consequentemente isso vem se expandindo para todas as áreas.

Nesse filme eu me vi apegado em detalhes, como as sequencias de montagens, que para mim foi um dos erros que não deveriam ocorrer mais nos dias de hoje. Um corpo que está de uma forma e na sequência está de outra forma, um copo de cerveja pela metade, depois está vazio e logo em seguida está cheio novamente. São detalhes que não interferem bruscamente no todo, mas que fazem o espectador ir atrás de outros possíveis elementos desse tipo. Mas, aparentemente, a dedicação maior na montagem do filme se dá no ápice da sequência, quando se começa a ação, que por sinal e intensa e contínua até o final.

Mas, quando falamos de sonorização, essa é uma parte que me fez gostar mais desse filme. Momentos de grande tensão nas cenas são intensificados com aqueles típicos sons que todo filme de terror deve ter. A voz dos mortos tem uma distorção peculiar, que se diferencia do bem e do mal. Quando há elementos que pedem uma ênfase no terror, há uma diferenciação mínima e que traz esse elemento que te puxa para dentro da sequência, e é isso que traz o susto, o medo, a surpresa.

O filme conta com a presença de Fabíula Nascimento (Odete), Bianca Camparato (Lara), Marco Ricca (Jaime) e as crianças que deram um show Cauã Martins (Edson) e Annalara Prates (Ciça).

A atuação da Bianca sempre me deixou em dúvida sobre suas personagens, o que não foi diferente dessa, mas ela tem uma evolução notória no desenvolvimento da trama. Cauã consegue ir de menino assustado à adolescente rebelde, malandro de uma forma bastante convincente.

Morto Não Fala chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de Outubro e vale muito apena ir assistir.

Morto Não Fala

9

Prós
  • História bem desenvolvida
  • Atuação das crianças
  • Sonorização
Poderia ser melhor
  • Montagem. Alguns elementos de continuação na sequência de montagem não foram bem marcados.
  • Final sem fim
0