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Coringa (Joker)

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O mundo dos quadrinhos tem inúmeros personagens que chamam a atenção de seus leitores, mas nenhum personagem chamou tanta a atenção, desde sua criação, do que o vilão Coringa. Idealizado como antagonista do cavaleiro das trevas, Coringa é um dos personagens mais complexos psicologicamente e que já tiveram inúmeras versões tanto cinematograficamente, quanto na televisão. A versão do palhaço de Gotham de Heath Ledger se tornou uma referência para todos os públicos, sendo até premiado com um Oscar. Mas um personagem tão complexo precisa de novas histórias para explorar ainda mais sua complexidade, e a Warner traz mais uma vez uma versão de seu principal vilão, mas agora uma história completamente focada nele, e sua origem, em Coringa.

Nos quadrinhos, a origem do Coringa é uma grande incógnita. Existe A Piada Mortal, mas existe várias outras menções divergentes que falam sobre a origem do palhaço. Logo este filme tem uma tarefa complexa – assim como seu personagem título – de criar uma origem digna, plausível e honrosa para o personagem. E Todd Phillips conseguiu.

O filme explora o caminho de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um homem com problemas psicológicos numa Gotham em decadência, para o arauto do caos que Coringa é conhecido. Já atribuindo que a famosa risada de Arthur é uma condição patológica, o filme vai explorando cena a cena esta condição. O mais interessante é que mesmo o foco para as condições darem ao personagem uma motivação para reagir, não romantiza suas ações, ainda mais que o personagem crie muita empatia em cena.

O filme é uma coesão de elementos acertivos e bem inseridos que surpreende pela sua construção, narrativa e desenvolvimento. Joaquín Phoenix não apenas encarna um Coringa diferente do que tudo que já vimos, como sua atuação é sim digna de indicações a várias premiações. A sensação que fica é que ele nasceu para encarnar esta versão mais realista e caótica de Coringa, seja pela atuação, sua postura corporal, sua risada que é marcante – como a risada de Mark Hamill, na animação – e o personagem prende sua atenção pela complexidade das cenas que consegue entregar uma história de origem definitiva.

E esse é um ponto que divide opiniões. O personagem é aberto para ter inúmeras histórias de origens, e os fãs já se acostumaram a isso, mas a história que Todd Phillips traz serve como uma amálgama de diversos elementos clássicos da origem do Coringa, como da própria Gotham e do Batman, em uma história de origem que pode-se considerar definitiva, que agrada os fãs do personagem, e aos não fãs também, por ser uma história convincente e bem construída em suas duas horas.

Um elemento que emerge junto com a história do personagem é a própria Gotham. A caótica Gotham como conhecemos nas diversas versões cinematográficas e televisivas aparece como um personagem que se modifica com Coringa, mas que também estava em modificações radicais e que também influencia na transformação de Fleck. A ambientação ajuda e muito na jornada invertida de Fleck, que é ainda reforçada com uma trilha sonora que apenas eleva a história. Todas as músicas contam tanto da história quanto as próprias ações, e ainda cria uma combinação oitentista junto com a ambientação.

Coringa é o filme que surpreende os descrentes – como eu – e ainda honra o personagem que tem inúmeras versões, dando uma história de origem definitiva, que constrói brilhantemente um Coringa memorável em vários fatores: a atuação singular de Phoenix, sua caracterização, uma ambientação crível que contribui para o espírito do caos que o personagem exala, uma trilha sonora que apenas eleva a narrativa, e uma construção de narrativa que insere diversos elementos clássicos do personagem, de Gotham e de Batman. Coringa é memorável, é uma confirmação para os fãs do palhaço que a DC atingiu seu auge, e que honra seus fãs com uma história intrigante, forte e coesa.

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Coringa (Joker)

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Com uma amálgama de elementos clássicos do personagem, longa é uma coesão acertivos de construção de personagens, atuação memorável do protagonista, uma ambientação que exala o caos do personagem, e uma trilha sonora bem inserida na narrativa

  • Atuação memorável de Joaquín Phoenix
  • Ambientação coesa e forte que conversa com a história e personagem
  • Trilha sonora que complementa a história e transmite a sensação da história em seu máximo
  • Escolhas narrativas e de construção acertivas
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