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Ad Astra: Rumo às Estrelas

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Desde 2001: Uma Odisseia no Espaço, o mundo cinematográfico explorou mais e mais o espaço, e as possibilidades da exploração espacial. Com o ânimo da corrida espacial, viajamos nas estrelas em diversas histórias que exploram o lado mais descobridor do ser humano. Atualmente temos ótimos dramas espaciais que focam mais na psique de seus protagonistas, e como somos uma raça sobrevivente. Perdido em Marte, Interestelar, as série clássica Pedidos no Espaço e Star Trek construíram a ficção espacial. E é neste sentimento de descoberta que Ad Astra: Rumo às Estrelas, produção com Brad Pitt explora o resgate de um pai pelo seu filho no espaço, enquanto discute o sentimento de solidão generalizado da humanidade.

A história se passa num futuro próximo, onde a exploração espacial já quebrou barreiras no nosso sistema solar, e agora está colonizando planetas próximos. Um dos pioneiros da exploração espacial, Clifford McBride (Tommy Lee Jones) desaparece próximo a Netuno, e anos depois, seu filho, Roy McBride (Brad Pitt) se torna um dos melhores astronautas. Mas um incidente de proporções espaciais coloca em dúvida se o pai desaparecido e considerado morto, não está escondido e vivo. Assim, a jornada de Roy o coloca em um redemoinho de autoconhecimento na busca pelo pai perdido.

Apesar das inúmeras comparações com as recentes ficções científicas espaciais, Ad Astra se mostra muito mais uma crônica interpessoal do protagonista, que ao longo do filme se mostra um profissional controlado em suas emoções e ações, e que se desconstrói quando o assunto de seu pai estar vivo o abala. Porém, o roteiro acaba não cativando ou tocando como Perdidos no Espaço ou Interestelar.

Enquanto no primeiro temos a personalidade sarcástica de Matt Damon para equilibrar o drama da sobrevivência humana, e o segundo explora o relacionamento pai e filha, Ad Astra se mostra mais frio em suas emoções, sem algo que equilibre o drama do protagonista, que o humanize mais, e crie empatia, deixando apenas uma cena mostrando sua fragilidade que não convence.

O filme apresenta uma fotografia bem interessante, mas que pode ser desconfortável em alguns momentos. O monocronismo de várias cenas, principalmente nos cenários alaranjados de Marte, ou mais metálicos dentro de naves espaciais, criam certo desconforto, mesmo que a construção da cena impressione. Mesmo com um cenário rico na simplicidade, a condução da narrativa fica monótona e pouco carismática.

Se a composição das cenas e o próprio roteiro acabam não sendo interessantes, os diálogos consegue chamar um pouco a atenção. Todos os discursos trazem a tona a grande sensação humana em relação ao espaço, que estamos só. Seja pela atitude obsessiva Clifford em continuar procurando vida além dos limites do nosso sistema, até a falta de interação social de que Roy tem, e que acaba afastando quem ama. O filme traz uma grande crônica sobre como nós sentimos sozinhos num vasto universo inexplorável.

Ad Astra pode se comprometer em um roteiro monótono e com uma composição visual até interessante, bem simétrica, mas bem monocromática. Mas o grande ponto de discussão vem ao falar sobre o sentimento de solidão do protagonista como uma analogia clara a toda a raça humana, que busca respostas nas estrelas e acaba esquecendo daqueles que estão próximos. Com pouca empatia criada para com o telespectador, o longa se vende como um filme de exploração espacial com Brad Pitt. Mesmo com um visual impressionante, Ad Astra pode ser difícil de ingerir, mas que guarda em sua beleza espacial, um ensinamento sobre cuidado com o que temos, e fortalecer laços, mesmo que subdesenvolvido.

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Ad Astra: Rumo às Estrelas

6

Como experiência cinematográfica, Ad Astra surpreende com decisões de fotografia, construção de cena e sua composição, e uma mensagem generalizada sobre solidão da humanidade. Mas peca em não criar empatia e um desenvolvimento mais fluido em cena, que deixa a jornada cansativa

  • Composição visual impressionante
  • Jornada psicológica sobre questões paternas com analogia a questões existenciais humanas
  • Ótima interpretação
  • Falta de empatia no roteiro
  • Monocronismo desconfortável em algumas cenas
  • Desenvolvimento de narrativa cansativa e sem carisma
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