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Hebe – A Estrela do Brasil

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Não exista uma pessoa no Brasil que não saiba quem é Hebe Camargo: apresentadora, cantora, atriz, Hebe Camargo foi e ainda é uma das personalidades mais importantes da televisão brasileira, que nos deixou em 2012. Com sua personalidade amável e cativante, é difícil encontrar uma pessoa que desgoste da rainha da televisão brasileira. Com mais de 60 anos de carreira, a Warner Bros, junto com a Globo Filmes e a Fox Film, trazem parte da história dessa estrela em Hebe – A Estrela do Brasil, num filme belo, necessário, e respeitoso pela imagem da artista.

Diferente de qualquer outra cinebiografia, Hebe – A Estrela do Brasil conta apenas uma parte da trajetória desta artista. Uma parte que pode se confundir muito com a atualidade. Após o fim da ditadura militar, nos anos 1980, Hebe (Andréa Beltrão) está no auge de sua carreira como apresentadora. Agora sem a censura, ela continua conduzindo seu programa na televisão do jeito que ela sempre quis, mas em seu caminho, uma censura velada e remanescente da ditadura ameaça sua carreira e vida pessoal, enquanto luta para ser a voz das minorias e lutar pelo melhor para seu público.

É inegável que a produção caprichou em construir cenários que ressaltam aos olhos daqueles que acompanharam a apresentadora na época, além de ter a exuberância de suas jóias – característica marcante da artista – e seus deslumbrantes vestidos em todas as cenas. O filme transborda o espírito mais deslumbrante de Hebe Camargo, e seu gosto pelo exuberante e brilho.

Quanto a caracterização e atuação, a produção também está de parabéns. Como já mencionado em diversas entrevistas, o filme não tenta ser uma imitação das personalidades que estão circundando Hebe, nem ela mesma. Andréa Beltrão não entrega uma imitação ou caricatura da apresentadora, mas uma interpretação própria da artista, que mesmo que fuja da cópia, resgata a essência da artista, a alegria, a falta de um filtro para demonstrar sua opinião, e o carisma próprio. Assim como Andréa, outros artista como o próprio Silvio Santos (Daniel Boaventura) e Roberto Carlos (Felipe Rocha) não são uma imitação de suas contrapartes reais, mais uma interpretação, até nas escolhas de deixar os próprios artistas darem a própria voz, sem criar algo parecido com os reais dá uma beleza única ao filme.

Como a própria construção da narrativa foge do habitual cinebiografia, pode parecer uma jogada de alto risco. Mas o recorte desta história é uma grande vantagem para mostrar uma mulher que luta pelas minorias. Seja lutando pelos direitos igualitários dos LGBT numa época bem difícil, a luta por melhorias sociais para trabalhadores, mulheres, abastados economicamente, Hebe é retratada como a voz para aqueles que não tiveram espaço numa sociedade meritocrática e injusta. A frente do seu tempo, e mesmo com suas próprias contradições, Hebe é mostrada apenas como uma mulher, com personalidade, e que não tem medo de ser quem é e não se rebaixa para ninguém.

Hebe – A Estrela do Brasil apenas tem elogios. Ela não é uma reimaginação da vida da artista, ou uma imitação caricata dela e de todos que a cercam, mas é uma obra crível, atual e importante de ser vista, já que a artista, mesmo não estando entre nós pessoalmente, ainda é muito importante para a televisão brasileira e para a sociedade brasileira, pelo seu carisma, pela sua personalidade cativante, e sempre será a estrela do Brasil.

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Hebe - A Estrela do Brasil

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Em um filme que arrisca em apresentar um recorte da vida da artista, Hebe - A Estrela do Brasil entrega uma bela homenagem a artista, sem deixar aparentar ser uma imitação da artista, com atuações críveis e carismáticas, que conseguiram trazer a essência da mensagem da apresentadora que é tão atual

  • Design de produção impecável e belo
  • Atuações marcantes e que não são imitações das versões reais
  • Mensagem sobre os ideias da artista bem claros
  • Narrativa cativante
  • Equilíbrio entre o drama e a comédia dentro da adaptação da vida do Hebe
  • Apresentação de uma mulher falha que luta por igualdade e que não nega seus erros
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