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GLOW (3ª Temporada)

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Brilho. Paetês. Colans. Maquiagem florescente. E muito feminismo. Quando GLOW estreou em 2017, o resgate da cultura dos anos 1980 estava em alta. O sentimento de revival vindo do sucesso de público Stranger Things, os anos 1980 nunca foram tão interessantes de abordar como foram por inúmeras produções que vieram há cerca de três anos. E com isso, GLOW chegou pela beirada e conquistou um público que buscava uma comédia leve, e foram surpreendidos por uma história de apoio feminino num meio e numa época que exalava o machismo. E a terceira temporada, que chegou no último mês, continua surpreendendo, mas deixa no ar um gostinho de adeus.

Vivendo agora na cidade que não dorme, as meninas do Gorgeous Ladies of Wrestling, ou simplesmente GLOW, têm a chance de manter viva o espetáculo de luta livre, mas lida nos dez episódios com contratempos pessoais, profissionais, numa montanha russa de emoções quando elas lutam para ter seu espaço no show business garantido, mas sem esquecer suas necessidades e desejos pessoais.

Uma coisa que sempre chama a atenção em GLOW foi a forma como a série consegue desenvolver e aprofundar a maioria das personagens que fazem o espetáculo de luta livre, ainda mais num formato reduzido a apenas trinta minutos por episódio, e pela quantidade de personagens. Se o roteiro abriu espaço para desenvolver nas temporadas anteriores personagens como Sheila (Gayle Rankin), Tamée (Kia Stevens), entre outras, a série se compromete em continuar seus desenvolvimentos, além de abrir espaço para explorar personagens secundárias até então, que pode passar como personagens peso de enredo, mas que ganharam grande notoriedade nesta temporada.

O grande enredo desta temporada é como lidar com o crescimento acelerado do show aliado ao apetite voraz de Bash (Chris Lowell) em continuar – e até forçar – as artistas as continuarem trabalhando, mesmo sem abrir para discussão. Vemos um lado pouco explorado de Bash neste momento, que discute sobre abuso trabalhista, ainda mais inseridos numa época misógina e pouco favorável para as mulheres.

Aliado ao enredo principal, temos ótimas discussões sobre os mais variados backgrounds, como a libertação de Sheila de seu casulo como a Mulher Lobo e sua trilha como uma atriz, discussão sobre preconceito por orientação sexual vivida pela própria Beirute/Archie (Sunita Sami) e os ataques homofóbicos sofridos nesta época. Mas o que mais chama a atenção chega no episódio seis, No Deserto.

Em sua própria sessão de terapia, as meninas enfrentam as mudanças radicais e severas do show, tirando férias no deserto de Nevada, e nele temos grandes discussões sobre situação de refugiados e sentimento de discriminação no meio de guerra, dando maior destaque para Biscoito da Sorte/Jenny (Ellen Wong) e Festeira/Melrose (Jackie Tohn), criando um paralelo entre o sentimento de medo de refugiados de guerra e raças inteiras marcadas pela discriminação racial e perseguição de ódio.

A temporada também da seu tempo para as personagens principais, Ruth (Alisson Brie) e Debbie (Betty Gilpin). Enquanto a primeira assume o que sente pelo seu diretor, Sam (Marc Maron), e entra numa jornada interpessoal sobre sua carreira, a segunda assume mais o fardo de uma mulher de negócios que precisa conciliar sua carreira com o fato de ser mãe. Já Sam tem um foco mais pessoal, tanto relacionado ao seu sentimento por Ruth, enquanto decide assumir a paternidade de Christine (Britt Baron).

GLOW é uma série que vem perdendo sua força, já que os anos 1980 estão já saturados de produções tanto cinematográficas quanto seriadas, mas que é pouco valorizada, pois acima de ser uma série de comédia baseada num programa real, a série discute temas muito importante para a sociedade atual, e ainda reforça a ideia de união feminina para enfrentar as adversidades de uma sociedade machista, e constrói tudo de forma coesa e fluida, com personagens femininas muito interessantes, carismáticas, e que consegue se relacionar com diversos públicos, além de tratar de temas bem atuais para todos. Com brilho, glamour e muito aprendizado de crescimento pessoal e profissional, o gostinho de adeus fica evidente ao término da temporada, mesmo que a série transborde humanidade e sentimento de apoio feminista de forma simples.

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GLOW (3ª Temporada)

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Com um sentimento de término no final, série reforça o apoio feminino da série com crescimento pessoal mais equilibrado das personagens e com mais brilho, plumas e paetês

  • Narrativa fluida e gostosa de acompanhar
  • Tempo equilibrado de desenvolvimento de quase todos os personagens
  • Momentos dramáticos que abordam assuntos pertinentes e atuais
  • Locações visualmente belos que reforçam a década ambientada
  • Um sentimento de encerramento no final da temporada
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