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Predadores Assassinos

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Tubarão é um marco nos filmes de suspense onde uma criatura é a grande ameaça e estrela do thriller. De lá pra cá, diversos outros filmes começaram a explorar a selvageria e inteligência na caça destes animais – e criaturas – nas mais variadas formas de caçar o ser humano. Muitos tentando se inspirar com Tubarão, outros copiando, mas nenhum que chegue a importância da construção da narrativa, meio que para tapar os erros, do longa dos anos 1980. Mas a Paramount está apostando tudo em Predadores Assassinos, um filme de suspense que a ameaça não é um tubarão, mas consegue entregar o suspense digno de tubarão.

A história segue Haley (Kaya Scodelario), uma jovem nadadora que vai até sua cidade natal, onde seu pai ainda mora, para verificar se está tudo bem, já que ele não responde a nenhuma ligação ou mensagem, e sua cidade está sendo evacuada por causa de uma enorme tempestade. Porém, ao chegar lá, Haley se depara que dois jacarés acabaram entrando na casa deles e prenderam seu pai no porão, e agora, eles precisam sobreviver contra o ataque dos répteis, durante a passagem da tempestade.

O filme em si tem uma construção bem simples, e mesmo sua simplicidade conseguem prender a atenção devido sua ótima construção da tensão. Conseguimos ver os jacarés várias vezes, diferente da genialidade atrás dos problemas de Tubarão, que não víamos a criatura, mas o filme trabalha bem nas sombras, já que mais da metade do desenvolvimento de passa no porão. E esse detalhe exalta a tensão e mostra a capacidade de trabalhar um ambiente limitado que eleva o filme.

O filme contém diversos jump-scares que são bem mais corriqueiros em terror sobrenatural, mas que num filme de suspense apenas reforça a ideia de perigo iminente. Outro ponto que o filme também acerta é o não exagero nos jacarés, sem criar criaturas gigantescas, ou com habilidades não-naturais do que já o de caçador próprio. Além de ter elementos que reforçam o perigo, e com perdas significativas.

A história também não se perde em explorar os dilemas do relacionamento pai e filha, mesmo que importantes, eles são apresentados e resolvidos ainda no primeiro ato, se estendendo até metade do segundo – mas dentro do porão – deixando todo o restante do longa para desenvolver a sobrevivência. Tecnicamente a produção visual cria um ambiente muito forte para dar a ideia de desastre natural com ameaça real de caçadores naturais, além de saber trabalhar apenas um ambiente em praticamente 80% do longa.

Predadores Assassinos não é um grandioso filme sobre criaturas mortais que resolvem caçar humanos, é um filme despretensioso, que consegue trazer a sensação de tensão genuíno dos filmes do gênero que não se perde em seus exageros, mantendo-os controlados para exaltar a sobrevivência de um pai e uma filha, com diversos elementos narrativos de suspense vindos de Tubarão, mas sem ser uma cópia com outras criaturas.

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Predadores Assassinos

8.5

Trabalhando bem o suspense com elementos de terror, filme exalta a sobrevivência, com consequências reais, deixando pouco espaço para exageros quando colocamos caçadores naturais como antagonistas, aliado a um desastre natural

  • Bom design de produção
  • Escolha por não exagerar nos antagonistas, mantendo-os apenas jacarés
  • Bom trabalho em explorar um ambiente na maior parte do filme
  • Ótimos jump-scares que exaltam o perigo
  • Um final bom, mas que se espera mais
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