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O Mal Não Espera a Noite – Midsommar

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Quando o assunto é terror, um dos gêneros mais populares, o mundo cinematográfico tem alguns nomes que chamam a atenção por obras anteriores. Mas todos estes nomes tentam inovar no já saturado gênero de terror, seja por utilizar uma narrativa diferente, misturar elementos de outros gêneros, ou se focar em técnicas visuais que despertem a atenção do telespectador. Ari Aster se tornou um nome a se prestar a atenção após Hereditário, e traz uma nova “experimentação” do gênero em O Mal Não Espera a Noite – Midsommar.

O longa – bem longo mesmo – segue a viagem de um grupo de jovens que querem diversão ou apenas esquecer um trauma numa vila sueca durante o solstício de verão. Mas com o passar do tempo neste belo recanto do mundo, as férias e o lugar se mostram um perigo para os visitantes quando os costumes desta comunidade se tornam macabros e estranhos.

A grande sensação assistindo ao filme é de um grande desconforto nas sequências bizarras que se desenvolve. Isso até poderia ser um ponto negativo para o filme, mas depende do que o público quer ver. Aster consegue entregar a sensação de desconforto muito bem, e sentimos que este era o objetivo inicial do longa; não um crescimento de personagens através do trauma e bizarrices entregue na narrativa.

Toda a história se passa majoritariamente de manhã, em um local de grande beleza silvestre, e ela é contrastada com gravuras grotescas – que servem como grande foreshadowing – elementos destoantes ao ambiente, e ações extremas dentro desta comunidade que criam a sensação de desconforto pela forma como são apresentados. Essa quebra de sensação deixa a atenção mais presa a história, que não se espera situações constrangedoras e bizarras em uma bela ambientação.

O filme não explora nem aprofunda os personagens, que são apresentados com maior ênfase no primeiro ato, mas que são esquecidos ao longo das duas horas e meia de filme. O longa em si não tem uma moral a passar, ou um grande ensinamento, ou aprendizado dos personagens após os traumas. Mas o filme tem como principal objetivo – que fica claro no final – que ele foi feito para causar desconforto, sem mostrar perseguições clássicas de slasher, ou criar tensão pela sombras, já que elas são quase inexistentes; até o mistério de comunidade quase inacessível não é tão misterioso assim, pois todos os elementos apresentados nos levam a premeditar o que acontecerá na cena seguinte.

O Mal Não Espera a Noite: Midsommar é oito ou oitenta: pode surpreender o telespectador ao utilizar narrativas diferentes das já utilizadas no gênero de terror, e criar algo novo que “refresque” o já desgastado gênero, com uma proposta pouco vista; ou ser apenas um filme cansativo, desconfortável e esquecível, que não tem uma atenção no desenvolvimento dos personagens, e que trabalha mais a vergonha alheia e desconforto das cenas bizarras. Não é um filme fácil de ser digerido, também não é um filme que se explica toda vez, mas que entrega aquilo que se propõe: um filme desconfortável e bizarro, bem ao estilo Ari Aster.

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O Mal Não Espera a Noite - Midsommar

7

Apostando em criar desconforto, longa arrasta a história com cenas bizarras e desconfortantes, que fogem dos clássicos elementos narrativos encontrado em diversos filmes de terror, e que divide opiniões, sendo um excelente filme de terror que quebra espectativas, ou um filme perturbador que não cause uma boa impressão para aqueles que não estão acostumados com o estilo de Aster

  • Quebra da perspectiva em construção de narrativa de terror
  • A falta de didatismo no desenvolvimento das ações
  • Ótimas escolhas visuais que compõe a sensação de pacífico
  • Boas atuações
  • Desconforto nas ações
  • Uma duração acima da média que dá a sensação de se arrastar
  • Falta de desenvolvimento da protagonista
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