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Divaldo – O Mensageiro da Paz

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Filmes com teor religioso sofre silenciosamente, com o pré-conceito de serem destinados àqueles seguem a doutrina abordada. Raramente chegam ao grande público por já carregarem a ideia de que “não é a minha religião” por muitas pessoas. Mas os vários filmes deste gênero tem em seu cerne algo mais profundo, a de mostrar a humanidade e ensinamentos de superação. Divaldo – O Mensageiro da Paz é o mais novo filme da Fox-Disney que traz para o grande público a mensagem de altruísmo e doação de um homem que fez de sua vida a missão de evoluir espiritualmente o próximo.

Contando parte da jornada de Divaldo Franco, um dos principais espíritas do Brasil, o longa é uma grande jornada de redenção. Quando jovem, o pequeno Divaldo via mais do que os olhos podem ver; e na adolescência o dom de ver espíritos o levou até seu caminho no espiritismo, onde conheceu sua vocação e foi ensinado e guiado por mentores terrenos e etéreos. No meio de sua jornada, ele é atormentado por um espírito obsessor que tem estreita relação com seu passado e deseja vingança.

A narrativa do filme ao todo é bem simples. Seu desenvolvimento ainda mais simples. Mas nem pela simplicidade o filme não tenha profundidade. O filme bate nas principais doutrinas espíritas, e gera discussão nas situações questionadas por outras religiões. Mas o roteiro em nenhum momento levanta a bandeira de que uma religião é melhor do que a outra, pelo contrário. Seu discurso humanizado resgata a necessidade de ser humano antes de levantar algum dogma.

No segundo ato do filme, quando Ghilherme Lobo assume o manto do espírita, vemos uma vértebra de crescimento e amadurecimento do personagem que toma quase metade da história. É dele que grande parte da comédia vem para aliviar a atmosfera religiosa que se instala. Ela é bem característica de comédias nordestinas, rápidas e de um sarcasmo inteligente. Toda a jornada encarada bem por lobo entrega o Divaldo maduro e preparado para enfrentar o ato final para Bruno Garcia, que entrega serenidade e maturidade para as questões mais humanas e solidárias.

Apesar dos ensinamentos, e da ótima escolha de elenco, o filme acaba se perdendo na transição. Quando há a troca da fase da infância para a adolescente é um corte brusco, e nos primeiros minutos existem transições ainda mais incisivas que fazem com o telespectador possa se perder no desenvolvimento da narrativa. Algumas atuações também parecem duras no início, parecendo que apenas estão lendo o roteiro, sem qualquer interpretação, mas que ao longo do filme ele é melhorada.

Ademais, o grande destaque – além dos atores que fazem Divaldo – é a mãe do mensageiro, vivida por Laila Garin. Ela mantém uma interpretação imponente e única, que resgata o espírito da mãe nordestina, e de todas as mães. Ela entrega uma ótima interpretação no início que se ele eleva com o tempo até a conclusão do filme.

Divaldo – O Mensageiro da Paz é uma cinebiografia que ensina mais sobre a humanidade do que ensina dogmas religiosos. Longa ensina que a paciência é recompensadora, que segundas chances são possíveis para aqueles que querem seguir um caminho virtuoso, e que ensina o valor das ações humanitárias, sendo uma grande história de aprendizado, que tem em seu desenvolvimento a espiritualidade do personagem título, sem doutrinar a religião destaque, mas doutrinar a humanidade.

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Divaldo - O Mensageiro da Paz

7.5

Com alguns problemas de transição e dureza na atuação logo no início, longa apresenta uma lição de vida e de humanidade, sem forçar os dogmas da religião, mas apostando na humanidade e nas ações sociais, segunda chances e superação.

  • Bela fotografia da Bahia dos anos 1930-1940
  • Destaque nas atuações dos atores de Divaldo e de sua mãe
  • A não pregação da religião, deixando a narrativa mais aberta para questões humanas e sociais
  • Atuações Dudas e superficiais no primeiro ato
  • Transição de cenas sem fluidez
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