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Peterloo | Como Uma Ação Pacífica Se Torna Um Massacre?

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O filme se inicia com um jovem, Joseph (David Moorst) retornando da guerra de Waterloo, guerra que os Britânicos venceram Napoleão e suas tropas, em 1819. Esse rapaz é um símbolo de alguém que viveu o terror de uma guerra e também o descaso do governo.

Quando Joseph chega em Manchester, percebe que a fome e a miséria ainda vai perseguí-lo, pois o governo e os “nobres” só querem saber de se enriquecerem mais, ignorando a população e cortando cada vez mais o seu sustento.

Com todo esse contexto, o diretor e roteirista Mike Leigh, mostra de uma forma bastante teatral as mobilizações políticas que a população e também o governo estavam realizando para com seguir garantir seus interesses.

De uma forma bastante extensa e as vezes cansativa, em suas duas horas e trinta e cinco minutos de filme, vemos reuniões, discursos e projetos da população tentando garantir seu direito pelo voto e melhores condições de trabalho, decidindo assim fazer uma manifestação totalmente pacífica em que se reuniram mais de 60 mil pessoas, contando mulheres e crianças.

De uma forma geral, por se tratar de uma história que retrata uma guerra e logo seguida de um povo farto da desigualdade, eu confesso que tinha uma expectativa maior por ação, tiro, confrontos de tropas, afim. No entanto, o que a proposta do filme nos traz é o entendimento de como manipulações políticas desordenadas, sem critérios, pensando somente em se manter no poder, pode se tornar algo massacrante para a população.

PETERLOO

Algo interessante é que, em uma cena no momento do protesto, um político criando uma lei que proíbe manifestações e greves diz exatamente a seguinte frase: “isso irá nos render sérios problemas no futuro”. A partir daí os ataques começam, as tropas atacam mais de 60 mil pessoas desarmadas, pessoas que só queriam mudanças no parlamento e representatividade política.

Esse filme não conta com protagonistas ou antagonistas, porém, a figura do garoto que menciono no início é extremamente importante no final. Ele é alguém que sobreviveu a uma guerra, venceu pelo seu país, mas foi massacrado pelo país que defendeu. Enquanto isso, alguém que ganhou prêmios, riquezas e reconhecimento pela vitória na guerra fugiu no momento que seu país precisava dele.

PETERLOO

Talvez você leia esse texto e identifique algumas semelhanças dos acontecimentos do século 19 com o século 21. Eu também tive esse sentimento ao assistir o filme.

Peterloo faz esse trocadilho com Waterloo justamente por terem massacrado seus inimigos e terem sido massacrados por eles mesmos, como muitas vezes vemos o nosso governo fazendo conosco. Peterloo te faz pensar que, muitas vezes, quem articula melhor as palavras, quem tem um discurso que atiça os ânimos é quem tem mais voz. Muitas vezes essa voz nem deveria ser ouvida, mas pelo fato de quem precisa ser ouvido não conseguir ganhar a atenção necessária, o sensacionalismo tem mais espaço.

Peterloo não é um filme que todos gostariam de assistir pelo ritmo que vemos a história ser construída, mas é um filme que faz todo sentido quando tudo acaba, pois muitas vezes uma situação inteira é tramada em nossa volta, ao poucos, nos cercando e nem conseguimos ter noção dela.

Peterloo

8

Prós
  • Cenas bem construídas
  • Tom teatral nas cenas
Poderia ser Melhor
  • Ritmo lento para a história
  • O tempo não tem um avanço para mostrar se ou quando os assuntos se resolveram
  • Batalha mal coreografada, bem artificial.
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