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Carnival Row (1ª Temporada)

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Este ano chegou ao fim uma das séries de maior sucesso de crítica e público: Game of Thrones (chegou até tarde sua conclusão). Mas o sentimento de perda de uma série de fantasia que explora questões importante a sociedade além de apresentar um desenvolvimento grandioso de intrigas, artimanhas e jogo político, já era conhecido há um tempo, e não vai permanecer por muito tempo. A nova série original Amazon Prime, Carnival Row tem semelhanças perceptíveis a gigante da HBO, mas que de seu modo particular de apresentar a trama, os personagens, e desenvolver o enredo, consegue se sobressair em quesitos técnicas e visuais, enque consegue ocupar facilmente a posição de série de ficção do momento.

A série segue o romance de Rycroft Philostrate (Orlando Bloom) e Vignette Stonemoss (Cara Delevigne), um humano e uma fada, respectivamente. Vivendo num mundo steampunk inspirado na era vitoriana inglesa, a série segue a trama policial centrada em Philo, e a luta por liberdade e igualdade social, além de luta pela preservação da história fae, centrada em Vignette. Os dois mundos se chocam em um emaranhado de conflitos, artimanhas políticas, ataques de ódio gratuito, que provoca o caos na sociedade de Burgo, que tenta se adaptar a quantidade enorme de refugiados de guerra.

O que torna Carnival Row não mais uma série de fantasia é seu apelo social e questões levantadas que são tão atuais que nos esquecemos que estamos vendo uma ficção baseada no steampunk da era Vitoriana inglesa. A série já estabelece que as criaturas mitológicas existem no mundo, e que há algum tempo, um grupo de humanos começou a atacar a terra natal das Fadas, Centauros, Faunos, e outras criaturas, a fim de explorar as riquezas intocadas, além de disseminar o ódio as criaturas denominadas pelos humanos como critches.

A série é recheada de analogias ao mundo real quando se trata de guerras fomentadas por exploração de recursos naturais, movidas ao ódio por uma determinada raça, o próprio racismo velado daqueles que decidiram refugiar o povo de Anoun (terra natal das fadas, centauros, faunos). Mesmo que sutilmente, a história apresenta diversas nuances sobre questões de refugiados de guerra, e a discriminação racial em diversos âmbitos da sociedade, seja nas lúgubres ruas do Carnival Row, seja dentro da delegacia de policial, seja na alta sociedade de Burgo.

As semelhanças de Carnival Row com Game of Thrones são perceptíveis aos olhos: a quantidade exorbitante de personagens; as tramas políticas sendo um tema circundante a trama principal; uma facção de ódio de ambos os lados; uma profecia de grandeza; um ser das trevas que ameaça a paz e a ordem; até Indina Varna, que participou de Game of Thrones, e chega em Carnival Row como uma versão mais incisiva de Cercei.

Mas apesar das semelhanças, Carnival Row desenvolve sua trama com o elemento fantástico mais presente e de vital importância para a história. Ela desenvolve o mistério principal de forma lenta – e isso é sentido logo nos dois primeiros episódios, que podem desmotivar, mas importantes e a história se desenvolve mais fluida a partir do terceiro episódio, que vai crescendo a trama para todos os lados e todos os personagens (mesmo que você não compreenda o motivo de sua existência dentro da trama).

Os personagens pode parecer exagerados e extravagantes, se assemelha do com uma caricatura a personalidade que cada um representa. Mas isso não chega a ser um ponto negativo, ela flui bem na história, e é condizente com a sensação que estamos vendo. A trilha sonora, assim como ambientação e fotografia são o ponto mais alto de Carnival Row: com um trilha sonora marcante e que exala a sensação de um ser etéreo nas músicas vinda dos fae, ou um estilo mais Vitoriano; a ambientação traz uma beleza visual que aliado a fotografia nos transporta para o mundo de Burgo.

Contudo, nem tudo é perfeito sem defeitos para Carnival Row. As atuações tem um exagero necessário e plausível, quando se trata de um steampunk de fantasia na Era Vitoriana, mas nada tão destoante quanto Cara Delevigne. Em momentos que Vignette precisa ser mais durona, Cara consegue convencer e entregar o que se precisa, o problema fica quando a emoção é necessária em cena. Na cena onde se emociona ao falar de seu antigo amor supostamente morto, o desconforto alheio de ver uma atuação bem forçada toma conta. E isso se repete em vários momentos.

Visualmente a série é impecável. Constrói um visual Vitoriano bonito e elegante, e conversa com a dualidade de riqueza e pobreza nesta época. As maquiagens das criaturas e as decisões visuais também estão de parabéns. Cada fauno tem um formato de chifres; as fadas, quando não estão voando, vemos suas asas abaixadas como um manto, e seus detalhes são deslumbrantes; até os centauros, que estão apenas presentes na cena, sem grande destaque, são interessantes de prestar atenção aos detalhes.

Carnival Row veio sem grande alarde para ser a Game of Thrones da Amazon, e ela conseguiu mais. Apesar de um começo bem morno, quase frio, a série engata bem quando se encontra narrativamente, e desenvolve uma trama política e social repleta de mensagens subliminares – ou nem tanto – e discute a situação de refugiados de guerra, exploração indevida e ilegal de riquezas de outros povos, questões de relacionamento de colonizadores e colonizados, racismo, xenofobia, discriminação racial e social, e surpreende com tramas que passam como descartáveis ou desnecessárias, quando desenvolve uma conexão entre elas, mas não deixando-as dependentes da trama principal, mas que elas sozinhas tem seu peso dramático e um desenvolvimento independente e interessante ao mundo vivido em Burgo.

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Carnival Row (1ª Temporada)

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Apesar das diversas semelhanças, Carnival Row de sobressai a outras série de fantasia que discute questões sociais e políticos, e entrega uma trama que cresce com o passar dos episódios, com um visual impecável e atento aos detalhes, com uma história que se revela aos poucos e prende a atenção com o crescimento dos personagens e das tramas secundárias, sendo original e inovador

  • Crescimento da trama gradual e cuidadoso, sem se atropelar em revelar toda a trama
  • Ambientação e Fotografia deslumbrantes, rico em detalhes
  • Tramas secundárias com peso dramático e social tão ou mais importantes que a trama principal
  • Ótimas atuações
  • Atuação forçada de Cara Delevigne que incomoda
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