CríticaDestaqueFilmes

Anna – O Perigo Tem Nome

0

Filmes de espionagem tem seu nicho. O exagero das cenas de ação, misturados com intrigas paramilitares e segredos governamentais no meio da tensão de uma guerra mundial são elementos clássicos como a franquia 007. Muitas vezes, estes filmes apenas apresentam a ação sem qualquer olhar mais profundo a temas recorrentes, e isso é bom, já que seu gênero serve mais para a diversão. Mas em Anna – O Perigo Tem Nome além de divertir com grandes cenas de ação, despretensioso em construir sua história, oblonga ainda carrega – mesmo que minimamente – um diálogo importante sobre feminismo.

Não é de agora a necessidade de colocar mulheres estrelando filmes de espionagem. Atômica, Operação Red Sparrow, e o tão pedido pelos fãs e aguardado filme solo da Viúva Negra, são exemplos de filmes que colocam a mulher em destaque nestes filmes, e traz novas perspectivas para uma ação que por si só é exagerada. E Anna consegue trazer todos os elementos clássicos de filmes de espionagem: lutas impossíveis em espaços pequenos, redes de inteligência que tentam sabotar uma a outra, trazer a sensação tensa da guerra fria.

Porém, a construção narrativa de Anna foge da clássica narrativa linear, e isso até se torna cansativo depois da terceira vez que o recurso de voltar no tempo para explicar o que acabou de acontecer. A primeiro momento esse retorno gera desconforto para continuar acompanhando a jornada da protagonista, mas você compreende a construção como necessária, já que o próprio filme se alicerça para surpreender nos clímax das cenas, e então explicar como chegou a este ponto.

Todo esse vai e vem para explicar a entrada de Anna no mundo da espionagem russa é pincelado nas primeiras cenas como o desejo da personagem de ser livre, e esse discurso de liberdade é algo que se reforça cena após cena. E toda sua construção reforça que tudo que ela luta é para ser livre, já que viveu dependente de muita gente, mesmo que involuntariamente.

Nas suas cenas de ação o filme se assemelha muito com o que é apresentado na franquia John Wick: cenas carregadas de adrenalina e movimentos de ação tão bem executados – e exagerados – que prende a atenção de quem assiste. A comparação imediata da cena do restaurante a John Wick é inevitável. Acuso-me a levantar a bola da produção por se tornar a John Wick Feminina, que é uma ação descontrolada, intensa, caótica mas extremamente boa e bem construída, reforçando a força feminina que luta pelos seus desejos.

Anna – O Perigo Tem Nome serve mais uma vez como o filme de espionagem de certa personagem russa que tanto queremos há 10, que carrega em sua construção de cenas de ação caóticas organizadas questões superficialmente trabalhadas, mas que não são descartáveis ou que não são simplesmente jogadas, mas que segue a narrativa clássica de filmes de muita ação, pancadaria, com atuações já conhecidas do gêneros, mas que a atriz e modelo Sasha Luss consegue segurar sem parecer forçada ou exagerada.

produto-imagem

Anna - O Perigo Tem Nome

7

      0