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Brinquedo Assassino (2019)

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Reboots são um campo minado. Chega a conflitante a sensação quando ouvimos que determinado estúdios resolveu ressuscitar uma história que já foi apresentada no passado, e ainda promete ser uma adaptação moderna. Alguns títulos são intocáveis pelo monstro do Reboot, outros são importantes a atualização da história aos novos moldes e questões sociais que vivemos. E Brinquedo Assassino, um dos icônicos filmes de terror altamente brega, tenta com a atualização de sua história trazer um novo Andy e um novo Chucky, sem deixar de lado a essência brega da história.

Se você já assistiu ao clássico Chucky – Boneco Assassino vai notar as fortes semelhanças narrativas, personagens e até o tom mais tenso. Basicamente é a mesma história, mas não é necessariamente uma cópia moderna e barata. Fugindo do tema de possessão, o novo Chucky se atualiza com a sociedade que ele é inserido. Auge dos anos 1980, os filmes de terror sobrenatural abriram espaço para a história do Chucky, um boneco infantil que é possuído pelo espírito de um assassino em série; mas no final da década de 2010, possessão em objetos inanimados é ultrapassado.

Após o sucesso da forma como James Wan – tenho falado muito dele nos reviews de terror – trabalhou o novo terror, e ainda inseriu quase que a forma ultimate de um brinquedo possuído em Annabelle, seguir a mesma logística levantaria comparações. Logo, utilizar o boom atual sobre o avanço tecnológico, o efeito Black Mirror, a atualização foi bem impregnada na narrativa: uma inteligência artificial, que não possui inibidores, e desenvolve um relacionamento tóxico com o seu dono.

Mas Chucky por si só é uma história brega, seja em seus exageros narrativos, os assassinatos dramáticos e extremamente elaborados por um brinquedo de pouco mais de 60 centímetros. O novo longa consegue manter todos esses elementos dentro da nova narrativa, o que não faz a sensação do Chucky clássico se perder no novo. De sua feição bizarramente realista, que a primeiro momento um misto de medo e estranheza são substituídos pela sensação mais brega que o filme entrega.

Como uma adaptação mais moderna do clássico do terror de 1980, o filme ainda traz momentos tão inoportunos de comédia, que são embalados pela melhor música tema de uma amizade corrosiva. Em termos mais profundos, o longa tenta abordar alguns assuntos pouco comentados, como a própria amizade corrosiva, o avanço tecnológico e como estamos mais dependentes destes, o avanço da inteligência artificial, o longa não se permite ser uma crítica social tão forte. Até mesmo as más condições de trabalhadores em fábricas em países subdesenvolvidos, chegando a ser abusivo as condições, são tratados superficialmente logo no início do filme, mas não são aprofundadas. E não há necessidade para isso.

A construção dos personagens também não é tão relevantes, e até as vítimas do boneco – tirando uma em questão – são apresentados argumentos que não são pessoas boas – o que também não é desculpa para a forma como cada um morreu. Os efeitos visuais são bem inferiores mas funcionais para a história, relembrando a forma clássica de se fazer um terror sobre possessão que abandonou esse elemento para dar espaço para o avanço da tecnologia e inteligência artificial.

Brinquedo Assassino não é o melhor filme de terror, nem o melhor Reboot da franquia, mas consegue justificar sua existência pela atualização da forma como Chucky se torna um assassino, tocando superficialmente em assuntos mais modernos sobre amizades tóxicas e nossa dependência de tecnologia e como o avanço delas está tão rápido que podem ser um risco, mesmo que elevado ao extremo. Ele respeita a breguice clássica, e apresenta um visual totalmente bizarro ao novo boneco, e ainda deixa no ar a questão se continuaremos a ver novos crimes do Chucky.

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Brinquedo Assassino (Child's Play)

6.5

Atualizando toda sua proposta e motivo para Chucky existir, Brinquedo Assassino não deixa a breguice de cenas exageradas e cria estranheza no visual propositalmente, e deixa a mensagem de amizade tóxica e ameaça da inteligência artificial em segundo plano apostando nas cenas mais gore das vítimas do Buddi

  • A sensação de breguice característica mantida
  • Leves referências a Toy Story
  • Atualização necessária para se justificar como Reboot
  • Personagens subdesenvolvidos
  • Narrativa e desenvolvimento clichê
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