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The Boys (1ª Temporada)

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Os super-heróis estão mais presentes em nossas vidas do que nunca. O conceito das histórias em quadrinhos estão ganhando outros mundos como o cinema, a televisão, e vários outros meios e áreas. Mas o limiar da ficção e da realidade pode ser bem mais tênue do que parece. Vemos heróis hoje salvando milhares de inocentes de atos de vilões ou situações extremas, e sempre com ética e moral para assumir seus erros e limites. Mas e se esses limites não existissem e seus erros fossem convertidos em meras fatalidades. The Boys, nova série da Amazon Prime traz não apenas este conceito do limite que uma pessoa pode cometer quando suas ações são diminuídas e sua imagem dê a ele poder e influência. 

Num mundo rodeado de super-heróis, The Boys vai fundo em questões sociais e morais quando o poder sob a cabeça, não apenas dos supers, mas também de empresas que capitaliza a marca que os supers, e explora em uma narrativa que prende a atenção em todos os arcos em desenvolvimento. E eles são muitos. Tudo se inicia quando Hughie (Jack Quaid) vê sua namorada, Robin (Jess Salgueiro) é morta – da forma mais visceral – por um dos supers. Então, ele é convidado por Billy Butcher (Karl Urban) para se vingar de todos os supers. 

Paralelamente, também vemos o outro lado: a aspirante a super-heróina Annie (Erin Moriarty) conhecida por Starlight, é escolhida para integrar o maior grupo de super-heróis existente, os Sete. Mas seu sonho de ser uma dos Sete não é o que ela imaginou, quando começa a ver como realmente funciona o grande mercado dos super-heróis. 

A história se vendeu muito com o slogan que os heróis de capas e colans se tornam vilões, pelas suas ações imorais. Mas toda o desenvolvimento ao longo dos oito episódios mostra que a série tem um papel ainda mais importante e profundo do que simplesmente inverter os papeis morais. Já vimos diversos outros filmes – bem mais sérios, ou nem tanto – lidarem com as consequências de seus atos, ou terem um controle maior sob suas ações. Capitão América: Guerra Civil utilizou um dos arcos atuais mais emblemáticos da Casa das Ideias para inserir o conceito de limite e supervisão dos atos de seres superpoderosos. Mas The Boys vai pela vertente mais showbusiness. 

Em comparação direta, os super-heróis do universo de The Boys são comparados com celebridades, ou super-celebridades, e é neste círculo que a comédia do exagero se choca com a seriedade de temas bem pesados que rondam todos os personagens. Assédio Coorporativo, Abuso Sexual, Negligência de Danos Colaterais, Abuso de Poder, Manipulação Militar e Governamental, Vários Níveis de Ódio por Grupos; Vício de Entorpecentes; são vários os assuntos pesados que uma série de heróis que deturpa a imagem deles pode ser abordado, e a série sabe equilibrar a comédia e o papel social que discute esses assuntos, e ainda aprofunda a personalidade e personagem. 

A série também consegue dar espaço para explorar diversos personagens, e dá tempo para além de apresentá-los, aprofundar questões morais mais pessoais de cada um e construir personagens tridimensionais palpáveis. A criação de empatia na infância vivida pelo personagem antagonista Homelander (Antony Starr), e como suas atitudes egocêntricas são um reflexo de sua criação; como a privacidade é um fator quase inexistente em um ambiente onde a fama sobrepõe a vida pessoal dos supers; entre outros temas. A história consegue humanizar na medida certa todos os personagens principais, que faz com que você se importe com todos, até os que agem imoralmente.

A série ainda tem êxito nas cenas de ação, que mesmo que extremas, são condizentes com o universo, e vai revelando pouco a pouco a trama que envolve não apenas o acidente que dá início a história, mas também as questões que são apresentadas ao longo da história, que deixa mais interessante sua revelação. A história também tem uma liberdade de brincar com elementos clássicos de super-heróis, seja a imagem que referencia os deuses da DC Comics, e ainda brinca com elementos presentes dos heróis da Marvel, e insere a história no contexto mais atual que vivemos. 

The Boys é de longe uma das melhores séries de super-heróis atuais, que mesmo com uma estética bem distópica com super-heróis, com um visual bem exagerado e visceral, ele aborda grandes temas que são tabus, enquanto cria uma estranheza na quebra dessa seriedade da abordagem do tabu com a comédia mais exagerada, mas que faz ser de The Boys uma história que fala mais sobre questões humanas e ações humanas quando a busca pelo poder, ou o status de poder e influência dão uma sensação de invulnerabilidade e liberdade, e a questão de arcar com as consequências é bem mais devastador quando levado a sério.

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The Boys (1ª Temporada)

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Com uma mescla bem equilibrada de comédia desconfortável, ações mais viscerais, e abordagem de tabus sociais, num presente quase-utópico onde super-heróis são reais e tratados como celebridades e deuses, The Boys tem exito em construir diversos personagens em pocuos episódios, e criar empatia por todos, desde os protagonistas heróis, os antagonistas - que são os super-heróis -, os coadjuvantes - estes mais subliminarmente - e ainda cria um enredo que vai desenvolvendo aos poucos sem apressar sua conclusão (por ser poucos episódios), ou estender mais a história desnecessáriamente.

  • Cenas de ação muito bem construídas e cheios de adrenalina
  • Personagens tridimensionais que são desenvolvidos aos poucos
  • Dilemas pessoais e sociais bem definidos e perceptíveis
  • Analogias com a realidade bem desenvolvidas e inseridas no roteiro
  • Personagens cativantes e carismáticos
  • Tem apenas 8 episódios, mas relevamos que a história é bem contada, construída e desenvolvida em apenas 8 episódios
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