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Primeiras Impressões | The Boys

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O cinema já percebeu que heróis vendem, e vendem muito bem. A indústria dos heróis no cinema é tão rentável que há pouco, Vingadores: Ultimato se tornou o filme com o maior arrecadamento de todos os tempos, isso sem contar a quantidade de filmes de heróis que estampam as primeiras dez posições neste ranking atualmente. Se no imaginário, o mercado de super-heróis está tão em alta, e se existisse realmente heróis? A nova série da Amazon Prime, The Boys traz essa pergunta a realidade, e ainda discute o limite de colocar estes super-heróis num pedestal inalcançável, de forma a satirizar as situações.

Baseada na HQ que satiriza o universo dos heróis endeusados da DC Comics, The Boys se vendeu como uma série que coloca os famosos heróis como vilões de nossa história, mas que o último trailer realmente revelou que a história é mais do que inverter a situação clássica. O primeiro episódio – como todo episódio piloto – apresenta nossos “heróis” e os super-heróis, e já desenvolve em paralelo os dois protagonistas, Hughie (Jackie Quaid) e Amy/Starlight (Erin Moriarty).

A cena de abertura deixa escrachado em nossa cara de onde a história se baseia. Se as HQ possuem o visual como ponto de referência para fazer a conexão com os heróis da DC, além do visual – que lembra muito o panteão da DC – o estilo de cena deixa claro que também pegaram referências do universo criado por Zach Snider para os cinema. De cenas que extrapolam as leis básicas da física, os slowmotions característicos, o estilo visual de supervelocidade e demonstração da superhumanidade faz você associar Superman ao Homelander (Antony Starr), Aquaman ao The Deep (Chace Crawford), A-Train ao Flash (Jessie T. Usher), e fica até impossível não associar Queen Maeve (Dominique McElligott) a Deusa Amazona Mulher Maravilha.

Mas a história é focada no humano Hughie, que acaba sofrendo um trauma causado por um dos heróis, e mesmo visível a culpa do super, a mídia volta a culpa para o humano – como visto no último trailer – e daí, ele é recrutado para ajudar a desmascarar os heróis e a empresa que cuida da marca dos super-heróis. Em contrapartida, Amy é uma jovem do interior com poderes que sonha ser uma das Sete, grupo dos sete heróis mais importante da sociedade, e sendo apenas uma jovem, ela entra para a equipe após a aposentadoria de um dos Sete. Mas ao entrar na equipe ela percebe que não será como ela sonhou, ajudar as pessoas no meio de pessoas íntegras e sérias.

O primeiro episódio leva os personagens principais ao extremo em seus arcos, e questionam a conduta dos heróis quando eles começam a ser tratados como deuses. E apenas em um episódio a sensação de que os heróis usam e abusam de seu status e importância para a sociedade, e não prezam para as consequências de seus atos, que é bem exemplificada na cena inicial, quando Homelander simplesmente joga no ar um bandido sem se importar onde ele vai cair, ou se isso é a justiça que ele está pregando. A série, por ser uma sátira, utiliza bem elementos mais atuais para mostrar que existem heróis em tudo, e a realidade é que os personagens realmente estão mais presentes em nossa vida, e são apenas idéias.

O episódio equilibra a comédia satírica com elementos mais dramáticos e dilemas psicológicos, além de vez ou outra utilizar temas como abuso de poder e manipulação psicológica para discutir a ideia principal da série, que tio Ben já bem disse: com grandes poderes, vem grandes responsabilidades… aliados a uma conduta moral.

The Boys tem uma ação que muitos pode achar bem copiada de outro universo, mas a própria criação da história é ser uma sátira que algo já existente, e a história se desenvolve de forma original, e cria a sensação de ser uma série de comédia, mas com questões sociais e conduta moral mais forte nas entrelinhas.

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