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Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal

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Encantador. Charmoso. Irresistível. Qualidades que qualquer astro de cinema clássico – ou os mocinhos atuais – possuem. Isso tem uma razão: eles precisam encantar o telespectador e exaltarem empatia, além de serem “apaixonantes” tanto pelo personagem quanto pela sua jornada, independente de suas motivações. Mas essas características estiveram presentes em um criminoso, que usou e abusou de seu charme e carisma, e é essa a sensação que Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal passa ao longo de todo o longa de um dos criminosos mais famosos dos anos 1960.

Diferente de outros filmes sobre serial killers, Ted Bundy não mostra efetivamente o crime sendo cometido, e explora mais o sexy appel do protagonista, e como sua personalidade acabava cativando suas vítimas psicológicas e aqueles que o acusaram. O filme apresenta de imediato o encontro de Bundy (Zac Efron) e Elizabeth (Lily Collins), e sem se alongar em como eles se viveram uma vida feliz, a história já nos joga no início das investigações contra Bundy. A partir daí, vemos mais interiores de salas de tribunal mesclados com um ambiente inquietante onde Elizabeth vive e trabalha.

Como o longa não explora os crimes cometidos por Bundy, propriamente dito, a história apresenta mais diálogos dúbeis e oratórias clássicas de séries de tribunais, enquanto passam a sensação de que Bundy pode não ter cometido os crimes. E todo o encanto que ele transborda atravessa os limiets da tela. Além da sensação de que ele seja inocente, pelas inúmeras vezes que se diz inocente, até mesmo pelas suas ações, a escolha para interpretar este personagem ajudou e muito para criar a sensação de inocência.

A escolha de Zac Efron, conhecido por seus papéis mais cômicos em Vizinhos, ou galã adolescente em High School Musical, ajudaram a construir o carisma já conhecido de Bundy na tela. O ator, que já tem um carisma próprio, usou e abusou de sua cara de bom moço, aliado a uma atuação convincente de um inocente indignado pela injustiça feita, que construíram um personagem muito envolvente. Além de mostrar todo seu carisma, Efron também tem alguns momentos bem tensos, principalmente na virada de roteiro, e em alguns pontos no decorrer do filme, que são claros foreshadowing de que ele não era tão bom assim; e momentos mais dramáticos, principalmente na sentença onde sua expressão é focada em um fade-in enquanto ouve a sentença e começa a chorar.

Vale ressaltar que o filme não aborda as vítimas físicas de Bundy, já que todo a premissa do filme é mais focada no psicológico, como um homem consegue encantar tanta gente e criar a dúvida se ele é um assassino, levando multidões de mulheres a defendê-lo. O longa também não romantiza o criminoso. Já suas vítimas psicológicas ganham mais espaço.

Sua esposa, vivida por Lily Collins, tem um maior destaque na primeira metade do filme, e algumas pontas soltas até o final, quando volta a se destacar na conclusão da história. Já a namorada de Bundy, após Liz abandona-lo durante um dos julgamentos, vivida pela Kaya Scodelario, preenche a lacuna da figura feminina ao lado de Bundy na segunda metade, e ela é a principal vítima psicológica de Bundy, vendo-a ser manipulada por uma sentimento que não parece ser correspondido.

Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal não é um filme sobre um grande crime cometido por um dos mais ilustres serial killers do século passado, nem romantiza as ações do mesmo, mas é sobre os rótulos e como eles influenciam o julgamento das massas, quando o charme, carisma e beleza são argumentos para considerar alguém inocente, e como um criminoso aprende a usar essas ferramentas a seu favor, e como a manipulação psicológica foi uma ferramenta importante para Bundy passar quase ileso e ganhar apoio feminino. O filme – assim como seu protagonista título – encanta, conquista, cria a dúvida, cria empatia, e mata a imagem que alguém bem-apessoado não possa ser um criminoso frio, manipulador e calculista.

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Ted Bundy - A Irresistível Face do Mal

8

Focado no carisma do personagem título, longa explora como a manipulação psicológica influência as massas, e cria a dúvida no telespectador se realmente o crime foi cometido pelo protagonistas, que usa o carisma da personalidades real aliada ao carisma do ator que o vive.

  • Não romantiza os crimes cometidos
  • Explora a manipulação psicológica tanto dentro da trama como ultrapassando a tela
  • Narrativa usa a personalidade do ator para construir a dúvida e o personagem mais crível
  • Ótimas atuações, que surpreende
  • Você acredita na inocência de Ted Bundy
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