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O Rei Leão (2019)

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Qual a principal motivação para resgatar uma história já bem conhecida do público e recontá-la utilizando novos recursos disponíveis? Seria o fator da nostalgia o principal combustível para manter a história tão querida por uma geração ainda presente anos depois, e ser esta nova versão um marco para novas gerações? A Disney, com toda a certeza, está usando e abusando do grande teor da nostalgia em seus novos live-action baseado em suas animações clássicas. Desde Alice no País das Maravilhas em 2010, e principalmente Malévola em 2014, os grandes clássicos do Era de Ouro, da Era de Prata e da Renascença estão sendo lançados regularmente e com mais frequência, mas ter uma nova versão com atores e contando a mesma história pode ser desestimulante para aqueles que cresceram na era das animações – mais especificamente, a era da renascença, nos anos 1980-1990. E esse é o grande espinho na pata de O Rei Leão, o último live-action da Disney neste ano de 2019.

Seja por ter assistido a animação poucas horas antes, mas todo a história do novo live-action não passe de um cópia quase exata de falas e ações da animação original. Assim como aconteceu com A Bela e a Fera, O Rei Leão parece preso a narrativa construída na animação de 1994, se permitindo minimamente a alterar o desenvolvimento, ou acrescentar uma palavra em meio a falácia conhecida mudando o discurso monárquico, alterando de um autoritarismo para algo mais afável.

Para quem assistiu a animação – mesmo que no auge das animações e tem um carinho especial por elas – o sentimento de frustração se torna presente no decorrer do longa, já que já vimos a história, e não existe algo novo que justifique sua existência. As falas estão lá, a forma e a entonação como cada frase é dita, até posições e ambiente (esses deslumbrantes), aumenta ainda mais o sentimento de “mais do mesmo”. É respeitável que a intenção real do filme é ser o que sua animação foi quando lançado: um marco para uma nova geração. Mas é na nostalgia que o longa se alicerça.

Apesar de toda a história, até sua construção e falas seguirem o roteiro de 1994, o que torna o live-action não tão live-action assim até interessante é a direção que a realidade se torna presente na história. As animações clássicas da Disney tornava os animais tão humanos, com emoções e feições humanas, que o exagero inserido no realismo não funcionaria, e se tornaria estranhamente medonho. A decisão de transformar uma história como O Rei Leão, que utiliza de exageros visuais – principalmente relacionados a dupla Timão e Pumba – em ações contidas e limitantas para a realidade traz um tom mais sério, deixando o humor para as piadas e sarcasmos incluídos no roteiro original.

Um grande ponto positivo do filme foi a construção do motivo de Nala (Beyoncé Knowles-Carter) estar sozinha caçando próximo onde Simba (Donald Glover) estava vivendo com Timão (Billy Eichner) e Pumba (Seth Rogen). Assim como no live-action de Aladdin, lançado há um mês, a personagem feminina ganha maior destaque, e Nala ganha uma cena que constrói uma personalidade ainda mais interessante, e de grande importância para a trama, e o live-action preenche as lacunas da animação dando motivação e nuances para a rainha Bey… quer dizer, Nala.

Além de Nala, Scar (Chiwetel Ejifor) por um lado perde sua pompa bem característica da animação, mas ganha por outro lado a face mais manipuladora, sem exageros, e ganha em seu visual mais desnutrido a dúbia ideia de fragilidade física compensada no poder da palavra imposta. Sem dúvida a sinergia entre Timão e Pumba se já é tão memorável na animação, no live-action ele consegue ser ainda melhor, e este bromance teve a maior liberdade criativa para dar uma nova interpretação nas piadas já conhecidas, e inserir novas piadas que não descaracterizam os personagens ou a trama. Vale ressaltar a seriedade e liderança inserida na Shenzi (Florence Kasumba), que passou de apenas uma capanga abobalhada da animação, para uma líder imponente dentro do live-action.

O Rei Leão é mais uma prova que live-action apenas pela nostalgia, sem uma nova abordagem ou uma perspectiva diferente da já conhecida história, pode tirar a motivação da existência da produção, que serve mais como uma cópia mais sofisticada e moderna, utilizando as tecnologias mais atuais. É compreensivo que rever a história agora com mais realismo seja interessante, mas repetir toda a história sem uma inovação, deixa em aberto toda a comparação com o clássico que tem um lugar especial na memória de quem o vivenciou. Mesmo com a beleza visual das savanas, e a qualidade do realismo que faz você duvidar que toda a produção é feita digitalmente, o longa guarda poucas surpresas que não inovam a história, mas atualiza alguns discursos acrescentando um ou duas palavras e preenche lacunas que deixe a história ainda mais redonda.

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O Rei Leão (The Lion King) [2019]

6.5

Sem grandes liberdades criativas, O Rei Leão apresenta a mesma história, as mesmas falas, as mesmas posições, em um filme que se foca mais por apresentar um visual tão realista, que não inova narrativamente. Com adições de palavras ou interpretações diferentes, os melhores momentos são aqueles que o roteiro foge da história conhecida e acrescenta novas nuances para seus personagens

  • Visual deslumbrante da savana africana
  • Realismo palpável de todos os personagens
  • Compromisso em manter um limite para a adaptação dos exageros presentes na animação clássica
  • Cenas que preenche lacunas, e mais background para embasar os personagens secundários
  • A história se repete palavra por palavra, ação por ação, movimento por movimento
  • Pouca inovação para desenvolver a história
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