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Análise | No Coração de Ouro: O Escândalo da Seleção Americana de Ginástica

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Em 2017 o mundo do entretenimento começou um movimento que mudou todo o mundo, não apenas centrado no meio cinematográfico ou televisivo, quando a atriz Alyssa Milano resgatou a hashtag #metoo em uma campanha incentivando as pessoas a contarem suas histórias de assédio sexual que sofreram. O movimento foi tão grandioso que, até hoje, reverbera um caso ou outro de alguém que assediou outro, além da organização criada para dar assistência a vítimas, e este movimento trouxe a tona os assédios cometidos pelo produtor Harvey Weinstein, e o ator Kevin Spacey, entre outros. Mas fora dos holofotes hollywoodianos o #metoo acabou encorajando um dos grandes escândalos esportivos dos EUA: o caso dos abusos sexuais da seleção de Ginástica dos EUA pelo médico Larry Nassar, que é explorado toda a história do crime no novo documentário da HBO No Coração de Ouro.

Fomos convidados para assistir em primeira mão o documentário pela HBO, e fica uma dúvida bem presente em como traduzir uma opinião cinematográfica de um caso complexo que é delicado para muitos, logo este artigo não é uma crítica, pois não há o que falar sobre a construção da história contada que poderia melhorar ou que faça sentido, pois não estamos vendo uma ficção, ou uma história inspirada em fatos e adaptada para fins comerciais. A história em si é importante é todos devem assistir como esse caso que foi abafado por anos, causou tantos danos que a única saída para o esporte que é referência nos EUA precisou começar do zero.

Se a história apenas contada por cima, ou lendo a manchete de um jornal ou ouvindo a chamada já é delicado, o documentário vai explorar de forma bem direta como que o médico Larry Nassar evoluiu suas ações criminosas e como o ambiente e as pessoas envolvidas ajudaram que ele abusasse das atletas por mais de vinte anos. O documentário explora, em forma linear, da importância do esporte para os EUA, e como sua popularidade é vista na nação estadunidense, e como o sonho de ser uma atleta evoluiu com o tempo, após Nadia Comăneci se apresentar e se tornar uma lenda no esporte. E como o ambiente acabou protegendo Nassar e não as atletas.

A primeiro momento, mesmo sabendo o que vamos assistir e presenciar, o documentário é brando em ser mais uma apresentação de fatos, com depoimentos de jornalistas que investigaram o caso, advogados envolvidos, e principalmente as vítimas e suas famílias e como era a relação e a dinâmica que Nassar criava para cometer o crime por anos com as atletas.

Sem tentar humanizar Nassar, todas suas ações, como bem explicadas por todos, principalmente pelas atletas envolvidas, era blindada por todos com quem trabalhava, e como ele próprio manipulava e controlava as ações para sair ileso de qualquer acusação, e como ele – auxiliado por terceiros – invertia a situação para ser a vítima.

O grande momento do documentário todo construído por imagens reais e áudios de depoimentos e do julgamento, é quando as suas vítimas ganham espaço para falarem diretamente para ele, durante seu julgamento, tudo que passaram na infância e adolescência, e como a saúde mental de cada uma foi afetada drasticamente por não compreender o que estava acontecendo, e/ou passar por constrangimento por ser chamada de mentirosa ou louca por muito tempo.

No Coração de Ouro ainda explora como a rigidez de uma organização desportiva acabava fechando os olhos para as necessidades mínimas de suas atletas, levando-as a limites e pressão psicológica que muitas não estavam preparadas, e essa rigidez protegia seus funcionários, em vez de suas atletas, que lhes davam o orgulho de serem campeãs, que era o objetivo principal da seleção. Esse ambiente rígido acabou encontrando no “inofensivo” médico da seleção um ombro amigo, que explorou suas atletas, e causou um dano é uma mancha irreparável na vida dessas meninas, e na história esportiva do país.

No Coração de Ouro: O Escândalo da Seleção Americana de Ginástica estreia nesta segunda-feira, 15 de julho, às 22 horas na HBO.

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