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Crítica | Stranger Things (3ª Temporada)

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Existe uma magia indescritível que ronda os anos 1980. Seja pela força do cenário musical, ou pelo crescimento do produções cinematográficas que marcaram uma geração tanto que reverbera até nos dias atuais, os anos 1980 é um prato cheio – e quase sem fim – de explorar diversas vertentes em uma história. E Stranger Things, um fenômeno global da Netflix soube bem como resgatar está época e torná-la tão presente para os dias de hoje e ainda criar algo único embasado nas diversas referências a clássicos do terror, do suspense e da ficção científica que explodiam na época.

A nova temporada poderia ser uma grande incógnita, já que as duas primeiras temporadas conseguiram explorar o Mundo Invertido, o Demorgogon e o Mindflayer, e como a experiências feitas na Eleven (Millie Bobby Brown) tem uma conexão, além de inserir o drama adolescente, infantil e adulto dos anos 1980, e ser tão atual. O que poderiam explorar mais? Para os Irmãos Duffer o céu é o limite, e utilizar os grandes sucessos cinematográficos do homem que se passa a história é o grande trunfo para eles – e que pode ser um tiro no pé, mas – sabendo utilizar todas essas referências em uma coalizão de uma narrativa linear que faça sentido para a história não deixa ela como uma grande trabalho de patchwork televisivo cheio de pedaços marcantes destas produções, mas deixa a série com uma marca própria.

A terceira temporada ainda estamos lidando com os resquícios que foi o Mindflayer, e isso vem amarrado com uma nova ameaça, essa mais terrena, e bem mais real, que tem uma enorme mensagem significativa para o período quando a série se passa e quando a série foi lançada na plataforma: 4 de julho, o dia da independência dos EUA. Simbolismos patrióticos não faltaram nesta temporada, e a inclusão de uma ameaça soviética e a luta de nossos heróis contra é uma grande mensagem de patriotismo.

Mais uma vez a fórmula Stranger Things se repete, e mesmo que batida e perceptível pra muitos, ela não se torna cansativa ou preguiçosa, mas dá sentido para termos a quantidade de núcleos em desenvolvimento, e como todas as peças vão se juntando e se revelando, culminando no grand finale. O arco dos russos é fundamental para compreender o retorno do Mindflayer, que nos leva ao arco do Mindflayer, que traz grandes referências aos filmes de terror e ficção científica, com Alien sendo o mais perceptível, e não sendo algo como copia-e-cola.

Quanto aos arcos narrativos mais pessoais, todos tiveram grandes evoluções. Jim Hopper (David Harbour) está lidando como ser pai de uma adolescente cheia de hormônios aflorando, enquanto investe em um novo relacionamento bem clichê; os meninos estão tentando entender o mundo das meninas, e as meninas estão ganhando sua voz num mundo machista; os adolescentes estão começando a lidar com os desafios do início da vida adulta e compreender que nada é tão fácil quanto no High School.

Os únicos pontos que não alcançaram, no meu ponto de vista, o desenvolvimento condizente, foi a Eleven ainda parecer estar há alguns meses após ser encontrada na chuva e não dois anos, mas todo seu desenvolvimento dentro da temporada a forçam a este desenvolvimento; e o aprofundamento bem apressado de Billy, o antagonista da temporada. E ainda esperava para ver outros números como a Eleven e a Kali/Eight (Linnea Berthelsen), algo que foi meio desconexo na segunda, mas com grande potencial.

A temporada passada já foi marcada pela perda chocante do Bob Newby (Sean Astin), e como uma temporada ainda maior, mais perdas são necessárias, seja por estratégia artística e contratual, ou apenas para dar mais um motivo para novas histórias. E todas vão acabar batendo bem fundo. A ação e os efeitos especiais também estão melhores e isso tende a crescer ainda mais.

Stranger Things deixa diversas sensações de nostalgia no ar – desde a referência a Exterminador do Futuro até A Hora do Pesadelo – mas com sua marca no construção de uma narrativa ainda mais misteriosa que conversa diretamente com a época em que a história se passa, e mesmo que a fórmula já seja conhecida, ela não deixa de ser emocionante e única e até imprevisível, surpreendendo nas decisões e nas jornadas dos heróis comuns, que enfrentam monstros de outra dimensão e a força militar soviética com sua versão do T-800, e como alguns fins pode se apenas um começo de algo inovador e inesperado.

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Stranger Things 3

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Apostando numa trama ainda mais referenciada, terceiro ano de Stranger Things lida com o crescimento da relação dos personagens, enquanto entrega duas histórias bem amarrada cheia de significados intrínsecos a data de seu lançamento, e uma cena pós-crédito enigmática

  • Referências são apenas Referências
  • Novos personagens significativos e funcionais ao desenvolvimento
  • Carisma dos personagens já conhecidos e dos novos
  • Efeitos especiais excelentes
  • Um antagonista humano pouco desenvolvido, e aprofundado de forma apressada em um episódio para justificar seu destino
  • A insistência do arco dos Números/Experimentos Governamentais
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