CríticaDestaqueSéries e TV

Crítica | Dark (2ª Temporada)

0

O ramo da ficção científica é um prato tão diversificado para se explorar em histórias que podemos imaginar que não existe limites para criar histórias intrigantes que nos prende a tela. Mas existe sim limites. Regras que impedem de autores e roteiristas de darem “a loka” e inserir lógicas ilógicas e sempre deixarem questionamentos e lacunas sem uma explicação plausível. Um dos assuntos mais explorado pela ficção científica é a Viagem no Tempo, adpatava em diversos títulos cinematográficos e seriados, e mesmo que alguns criem suas próprias regras para facilitar seu desenvolvimento, que cria uma falta de coesão narrativa, mas Dark é uma série que soube como explorar a viagem no tempo sem criar falhas narrativas e de continuidade narrativa e ainda insere drama familiar em uma história de alta qualidade.

Se a primeira temporada gerou muitas conversa e teorias no final de 2017, se tornando um fenômeno da Netflix, a prometida e aguardada segunda temporada não simplesmente mantém a qualidade da história apresenta em sua primeira etapa, como eleva a mitologia envolvida, e amplifica toda a narrativa, e mesmo que alguns elementos parecem sem sentido e começados do nada, elas ajudam na construção do aguardado clímax do episódio final.

Como comentado no artigo de Primeiras Impressões, a primeira temporada de Dark tem apenas um defeito ao meu ver, e é a escolha da escuridão quase que total das cenas, não importa em qual aparelho estava sendo visto – se estava no celular, não adiantava colocar a luminosidade do aparelho no máximo, ou se estivesse na televisão, alterar os parâmetros de imagem não ajudavam a compreender o que acontece na maioria das cenas. Nesta temporada foi totalmente diferente. Mais luminoso, as cenas ainda mantém um tom quase melancólico, mas estão bem mais visíveis, mesmo em cenas noturnas.

E com toda a fotografia mais nítida apenas melhorou a história que teve maior espaço para cair de cabeça na ficção científica. Enquanto a primeira temporada ficou no mistério do desaparecimento e na viagem no tempo e focou mais em apresentar os dramas familiares da cidade de Winden, e como elas se formaram através dos três períodos do ciclo, a segunda temporada abre mais para o iminente perigo do apocalipse e explora a viagem no tempo mais do que as consequências pessoais, e insere outros dois períodos dentro do ciclo principal, e auxiliam nas respostas deixadas na primeira temporada, e momentos chave para o clímax.

A série que já mostrou que consegue surpreender com paradoxos acontecendo em tela, revelações dignas de viradas de roteiro, demonstra mais uma vez que ainda guarda muitas cartas na manga para a nova temporada. Se estragar o final – que é surpreendente – a história se expande a limites plausíveis quando estávamos falando de ficção científica, e ainda reforça a ideia da inevitabilidade dos fatos acontecerem da forma que devem acontecer, gerando até uma sensação de que o Tempo é uma força que dita as regras de tudo, como bem conhecemos de Lucy.

Dark contempla e respeita os elementos mais polêmicos e básicos de ficção científica em uma construção narrativa que pode parecer cansativa pela sensação arrastada que a história se desenvolve, mas tem um crescimento coeso para a quantidade de personagens em desenvolvimento, e consegue evoluir a trama sem deixar problemas paradoxais e continuidades ilógicas, enquanto vai revelando seus segredos e preenchendo lacunas pouco a pouco para desenvolver a história e seus personagens, deixando o terreno preparado para a conclusão em sua terceira e última temporada.

produto-imagem

Dark (2ª Temporada)

9.5

Se aprofundando mais nos elementos de ficção científica, Dark evolui sua trama, e expande sua mitologia e narrativa, respondendo algumas questão não explícitas na primeira temporada, e fecha lacunas em grandes reviravoltas num épico apocalíptico temporal

0