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Crítica | i Am Mother

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Uma população a beira da morte e uma base secreta focada em repovoação de seres humanos controlada por uma máquina de inteligência artificial. Uma de suas cobaias é tratada como filha dessa máquina e sem saber a real calamidade do mundo afora, ela resolve ajudar uma mulher a se curar de um ferimento causado pelo conflito oculto. Porém a verdade acaba sendo bem mais clara do que parece e esses são alguns dos principais elementos de I Am Mother, produção da netflix que foi lançado na última semana. O filme é dirigido por Grant Sputore.

O começo do filme apresenta a personagem que venha ser a protagonista do longa, e a máquina que decide criar a espécie que acaba de surgir no mundo. Nessa parte vemos uma situação que questiona várias perguntas: não há uma espécie humana mais madura ajudando as futuras gerações criadas em fetos criogenizado. Apenas uma máquina cuidando e educando uma menina até a fase jovem e claro tendo o papel de parentesco único. Sem saber de fato o que aconteceu com os seres humanos, essa introdução percebe que há uma grande afeição por parte da jovem e também há uma certa restrição por parte do contato com o mundo afora em que segundo a mother, a humanidade foi morta por uma epidemia e que as máquinas é que devem tomar conta de tudo para repovoar a espécie da forma como foram criadas. Essa lógica parecia ser fixa no pensamento da filha. Isso até a entrada da mulher no sentido de que há uma controversa nessa lógica. Nesse ponto, os dois atos vistos destacaram dois elementos: a mentira e a confiança.

O primeiro é a mentira, quando a personagem de Rose Byrne explicou o fim da humanidade, foi de maneira enérgica a crença de que é a única pessoa que moveria toda nova geração para o futuro, até o certo ponto da introdução da personagem de Hilary Swank que prova o oposto do que a Mother contou e é nesse instante que o elemento da confiança aparece. Nesse ponto acontece o dilema em quem poder confiar? Na mae artificial que tanto cuidou ao longo do tempo ou na mulher que viu a realidade do mundo afora? Um certo equilíbrio de confiança acaba sendo observado ao decorrer do longa até chegar em um certo ponto em que não há mais nada e só resta depender de si mesmo para cuidar da humanidade, isso foi de fato um verdadeiro chute nas costas proposto no roteiro que de fato é algo logicamente estruturado e pouco descritivo.

Entre as atuações a de Hilary é a que mais surpreende nesse aspecto. Pois a aparência quando foi encontrada mostra a realidade do mundo de hoje e as consequências que teremos e a de Rose por projetar o artifício para quem está criando um ser como filha, no caso a personagem de  Clara Rugaard que está neste eixo entre sua criadora e sua visitante. A Clara tem uma atuação bem confusa e muito sólida ao ponto de entender porque escolheram ela. Até um certo ponto que ela mostra ser útil. Ela passa a dominar sua capacidade de aprendizado para ajudar a criar  humanos, a cuidar de pessoas e até de enfrentar difíceis barreiras até de entender a verdade. No verdadeiro deslumbre da personagem, um grande plot twist acaba jogando o elemento que falta para ela que é a verdade de sua criadora e o que ela é. O choque que fez a atuação se tornar bem impressionante.

Existem vários momentos que não sabemos lidar com essa força mas uma coisa me fez pensar foi ao nível de autoritarismo e extremismo que máquinas como a Mother quiseram causar com a humanidade. Vem um pensamento “E se fosse o próprio humano fazendo isso com sua espécie?” Seria algo que não teríamos ideia a menos que ele tivesse 100% de sua capacidade mental e pudesse ele próprio controlar as maquinas e destruir a humanidade. Algo que recentemente vimos em Lucy de Luc Besson e algo que vivenciamos neste filme. Uma coisa que surpreendeu foi o estilo das artes conceituais e sua fotografia, a primeira coisa foi reparar que esse filme é digno de uma produção de ficção científica na temática espacial e realmente os detalhes são sensacionais lembrando até mesmo star wars. Algo que pode marcar este filme é a fidelidade das cores em sua paleta e também da trilha sonora bem referente a clássicos como alien e outras produções.

Mas apesar de ser uma produção boa que merece destaque para ser da cultura pop, ela é personificação do reflexo com a realidade. Mais precisamente o exemplo de como estará o mundo daqui a anos com muitas evoluções tecnológicas e vários riscos a humanidade. Provar que um fato é inevitável mesmo quando não sabemos se vai acontecer. A menos que pretende saber como criar seus filhos ou até saber como sobreviver, é provável que a realidade condiz com a ficção e o medo se torne grande. É um tremendo reflexo quando a gente pensa que está preparado, na verdade não estamos e corremos mais riscos de sermos descartados. É algo bem comum se considerarmos filmes que falam sobre essa realidade paralela, como a saga do exterminador do futuro. Mas em I Am Mother vimos que existem uma alternativa porém no momento da cena de introdução da mulher, vimos que é completamente absurdo robôs ajudarem a criar os humanos em vez deles próprios, e nesse caso sem as máquinas, eles seriam completamente melhores e cuidarem mais dos seres que estão em frascos. Mas nesse ponto há uma concordância com a máquina, que o ser humano tem um pensamento auto-destrutivo e isso é fato já que a força do homem é capaz de provocar a força da natureza e a máquina compreende que humano deviam ser reedificado e parar com o pensamento impulsivo e insano de se dizimar por ignorância ou sadismo.

No fim o que cabe dizer é que esse filme tem uma mensagem a mostrar e com boas atuações e ótima escolha de elenco. Esse que se dá pra dizer é um novo ícone da cultura pop em produção independente para falar exatamente sobre realidade e confiança. Uma coisa que não esperava era que o final pudesse mostrar mais dos personagens em si algo que ficou em aberto e não teve um ponto chave para dar prosseguimento. Mas o que mostra é que temos um suspense que deve levantar questões para falar sobre a nossa realidade e se devemos um dia sobreviver a um possível apocalipse ou darmos a chance de confiar nas máquinas mesmo que ela tenha feito algo contra nós. Todo o mérito se leva por Grant Sputore que desenvolveu uma trama cheia de mente intensa e estratégico com um suspense desafiador junto com um Syfy que faz jus a filmes de espaço com sua arte futurista.

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I Am Mother

9.1

Um Suspense tenso, harmonioso e cheio de certezas e difíceis escolhas. Um longa que reflete a realidade e como devemos encarar tamanhas revoltas da humanidade.

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