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3% | Primeiras Impressões

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A construção de uma sociedade é um árduo trabalho coletivo que demora anos para se concretizar. Desenvolver uma sociedade funcional e igualitária é uma utopia sociológica que nunca alcançará a perfeição. E a primeira série brasileira original Netflix, 3%que chega a plataforma nesta sexta feira – se deu a oportunidade de explorar uma nova sociedade, construída do zero, que serve de terceira opção da sociedade já conhecida onde precisa se provar merecedor do Maralto em provas desumanas, ou viver na miséria do Continente, e a promessa da Concha poderia ser um tiro no pé, mas já apresenta um grande passo para a distopia social.

A série já inicia sua terceira temporada com o nascimento da Concha, após um período em construção depois dos eventos finais da segunda temporada, e todos vêem o nascimento de mais uma sociedade que ameaça muitas ideologias já presentes: o Maralto sente seu controle sendo quebrado; a Causa sente que mais um inimigo surgiu para ir contra; e a milícia criada por Marcos (Rafael Lozano) sente também a ameaça de perder o controle da população do Continente. Mas em vez que explorar toda a trajetória para a aceitação de parte da população do Continente, a série se importa em explorar já a quebra da Concha.

Com um salto temporal do nascimento da Concha em um ano, a ameaça vem da força da natureza – como já apresentado no trailer – uma tempestade de areia acaba destruindo parte dos recursos da Concha, e Michele (Bianca Comparato), a fundadora precisa decidir como manter a Concha viva, e para isso, ela decide fazer uma seleção com caráter parecido que era o Processo, enquanto outros personagens com intenções negativas aparecem para impedir o progresso da Concha.

O primeiro episódio apresenta, não apenas uma sociedade pacífica e próspera, onde o medo da falha no Processo mexia com a cabeça dos jovens, como aprofunda a personagem Michele, agora como líder de uma sociedade utópica, e que precisa lidar com as consequências de acontecimentos acima de seu controle, enquanto muitos depende dela. Paralelamente vemos uma mudança grande em diversos personagens, e que serão desenvolvidos melhor com os oito episódios da temporada.

Um ponto super positivo para a série está na fotografia, que apresenta além de paisagens de desertos muito bonitos, toda a paleta de cores segue um padrão de laranja, areia e branco que dá maior sensação de secura, que é um ponto importante para a temporada como um todo.

O primeiro episódio de 3% ainda guarda algumas revelações importantes do que aconteceu nesta lacuna de tempo, e mantém uma qualidade narrativa ainda melhor que na segunda temporada, aliado a um grande trabalho visual e que ainda reforça a força feminina nesta série que tem ótimas representantes e que começam a ser exploradas aos poucos.

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