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Rocketman

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Quando a cinebiografia de Freddie Mercury e a criação da banda Queen, Bohemian Rhapsody ganhou quatro Oscar neste ano trouxe para os holofotes um gênero que começou a ganhar força nos últimos anos: histórias baseadas na trajetória de grandes nomes da música. O próprio filme em questão é uma grande ode ao cantor e para a banda que mudou o cenário da música mundial, mas além do Queen, e do próprio Freddie, outros nomes estão ganhando suas versão cinematográficas pouco a pouco. Já temos confirmado uma cinebiografia da rainha do soul, Aretha Franklin, mas este ano ainda nos reserva outro grande astro da música: sir Elton John, em Rocketman.

Antes de realmente começar a análise do filme, esqueça tudo que você sabe sobre cinebiografias. Não vá achando que ele segue os mesmos moldes do vencedor do Oscar Bohemian Rhapsody, pois a própria sinopse oficial já nos dá pistas que não é um filme qualquer. Como bem divulgado pela Paramount, Rocketman é uma cinebiografia de fantasia musical épica. Tantos gêneros que pode parecer confuso, e até que quando se assiste aos primeiros minutos da trajetória de Elton é isso que vemos, uma repleta cacofonia de gêneros cinemáticos que faz total sentido quando começamos a conhecer mais do personagem principal.

Rocketman é uma ótima mistura de O Rei do Show com Bohemian Rhapsody. Com uma mistura do mundo lúdico visto na vida P.T. Barnum para mostrar a ascensão de um artista britânico que transborda talento, sua “queda” e a conclusão de seu dilema contado pelas músicas que contam a trajetória. Então já tenha em mente que você está indo ver um musical. E deste musical, vemos diversos elementos de fantasia, como pessoas levitando, conversas submersas em piscinas e outras cenas tão lúdicas que fazem parte do show.

O filme não segue uma linearidade padrão, mas isso é muito bem alicerçado em passar a ideia de colocar o protagonista mais velho confrontando seu passado, seus demônios, e suas frustrações. E isso nem parece o sucesso brilhante – literalmente – que é a carreira de Elton John, mas o filme explora mais o ser humano, cheio de falhas, que carrega toda suas mágoas e tristezas. O filme mostra um homem que sempre buscou o amor, mas que nunca teve um amor correspondido.

Essa busca a um amor correspondido e merecido – e principalmente, autoaceito por ele – é muito bem amarrada pelas músicas, que sim, tem uma coesão narrativa importante para compreender toda a trajetória de Elton e na cura do mesmo de todos suas mágoas e remorsos acumulados pelas pessoas que passaram em sua vida. Vale aqui uma pausa para enaltecer Taron Egerton que surpreende nas cenas musicais, tanto quanto nas cenas mais dramáticas e que transparece o que o homem está sentido, e o que ele escondia com a máscara do astro.

Com uma sessão de terapia de grupo, Elton – muito bem representado por Taron Egerton – repassa sua vida como um tímido garoto com um talento nato para a música, atravessando sua adolescência quando começa a se apresentar em bares locais, até despontar como um artista excêntrico ao lado de seu compositor e melhor amigo, Bernie (Jamie Bell). Da rejeição de seu pai e a falta de carinho dado por ele; da forma estranha de amor depreciativo que sua mãe, Sheila (Bryce Dallas Howard) dava a ele; até de seus relacionamento abusivo e depreciativo vivido com seu primeiro empresário, John Reid (Richard Madden).

A transição de fases pode causar estranheza. Podemos estar tomando um ácido bem forte? Talvez. Mas a própria narrativa da história reafirma a transição dos anos muito rápido, parecendo até que Elton dormiu por um longo período, e acordou em outro momento marcante de sua vida. E isso é bem explicado pelo fato de toda a história estar sendo contada pela sua versão no limite de seus vícios, buscando ajuda, facilitando a compreensão de como se realmente tivessemos vendo o tratamento psicológico dele.

Rocketman é uma sensação completamente diferente do que já vimos em outros filmes cinebiografias baseados em artistas. O fato do musical ser muito presente pode não ser algo tão agradável para aqueles que não curtem este gênero, muitos podem estar esperando uma narrativa mais parecida com Bohemian Rhapsody, mas diferente do líder do Queen, a genialidade de Elton sempre esteve envolvida com a música de forma mais sensorial, e vemos isso em tela, além da tradução mais fantasiosa da energia que seus show emanavam criam uma mistura única que também é presente, em um filme que apresenta mais o ser humano e suas falhas, do que o artista endeusado Elton John, com uma excelente atuação de Taron, que não apenas está bem visualmente como mostra seu potencial vocal em todas as músicas.

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Rocketman

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Diferente de tudo que conhecemos sobre cinebiografias, Rocketman aposta numa mistura de diversos gêneros cinematográficos que exalta a criatividade musical do protagonista, enquanto desenvolve mais o ser humano falho e cheio de dilemas quando confronta seu passado e sua busca por um amor merecido

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