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Brightburn – Filho das Trevas (Brightburn)

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Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. A frase icônica do Tio Ben em Homem-Aranha define bem a moral e a conduta de todos os heróis, independente de qual universo ou editora ela se origina. Mas tanto poder nas mãos de um humano já cria diversos dilemas morais, na mão de um alien antropomórfico ou com semelhanças humanas, a humanidade pode ser inexistente, e os dilemas morais que conhecemos pode ser descartados facilmente. Mesmo que esses ensinamentos construam a pessoa ao decorrer do anos. Se você já imaginou o que aconteceria com a Terra se Kal-El não fosse o simbolo da paz da DC e resolvesse ser um vilão, James Gunn trouxe essa possibilidade em Brightburn – Filho das Trevas, em parceria com a Sony.

A história mantém em sua base uma origem bem similar com a origem do Superman: um meteoro cai próximo a uma cidade pacata, e um casal que não consegue ter filhos acaba encontrando este meteoro, e dentro deles encontra uma criança. Como uma mensagem quase divina, eles criam como se fossem deles, mas com o passar dos anos descobrem que este milagre espacial guarda mais do que apenas a semelhança com os humanos, mas poderes sobre-humanos. Mas é aqui que a história se separa como se fosse uma realidade alternativa. A criança começa a usar suas habilidades recem-descobertos para ações nenhum pouco autruístas e humanitárias.

A história toma uma liberdade narrativa de não seguir a risca a origem de sua “inspiração”, mostrando todo o passo dos pais até encontrarem a criança, deixando em aberto para a interpretação do telespectador – que já deve conhecer muito bem a história do kriptoniano – a apresenta a possibilidade de colocar este ser de grande poder como um possível vilão, que usa de suas habilidades para atrocidades.

Mas as ações de Brandon Breyer (Jackson A. Dunn) são influenciados por uma força exterior, quase como a fortaleza da solidão, só que em vez de ser um refúgio e esconderijo, apresenta uma força que desperta a verdadeira intenção da vinda de Brandon a Terra. Toda a origem de Brandon, qual seria sua real raça, se existem outros assim como ele, não é explorado dentro do longa, que se foca em uma sucessão de cenas de uma criança que tenta esconder suas ações de forma definitiva, mesmo que o princípio seja não contar para seus pais.

Diferente da maioria dos terrores que temos uma presença sobrenatural atuando sobre algo ou alguém, e provoque todas as mortes, inserir algo menos espectral e mais “humano” – por assim dizer – apenas dá uma nova perspectiva para a história de terror. O roteiro não é algo revolucionário ou inovador, por mais que criar o subgênero de terror de super-heróis seja algo muito novo, o fator super-herói poderia muito bem ser trocada por uma força que comanda as ações de Brandon, como acontece exatamente em Maligno.

Do símbolo que representa quase um anagrama do personagem de Brandon, do título do filme ser o nome da cidade fictícia, assim como acontece na série de origem do Superman, Smallville; Brightburn carrega diversos elementos clássicos muito estampados na cara do telespectador de onde veio a ideia central para desenvolver a história, mas tirando tudo isso, a história segue os moldes de um comum filme de terror com uma força maligna que domina um humano para causar as atrocidades, que neste filme abusam dos “poderes” para utilizá-los como ferramenta para as cenas mais slasher do longa. Se a intenção era ter um “e se”, Brightburn cumpre seu papel como uma possíbilidade de uma realidade nas multiplas terras ou no multiverso onde um super-herói admirado por muitos, pode ser um ser perigoso e temível caso não tivesse a conduta moral e altruísta de ajudar o próximo, apenas com a sensação que deveria tomar tudo para si apenas por ter mais poder que outros.

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Brightburn - Filho das Trevas

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Num grande "e se" o Superman não fosse um herói para os humanos, mas um grande vilão, Brightburn vai pelo viés que um ser com grande poder não precisa demonstrar conduta moral ou remorço pelas suas ações, e mistura dois gêneros diferentes, um em alta e outro que nunca saiu dos holofotes cinematográficos, e entrega uma reinterpretação do slasher sobrenatural alterando o fator sobrenatural por um super-herói ou super-humano, que não se aprofunda a origem do protagonista, e utiliza de seus poderes recursos para as clássicas mortes de personagens ao longo do filme.

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