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Tolkien

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O incrível mundo dos livros é repleto de grandes nomes que revolucionaram diversos gêneros e alcançaram milhões de mentes inquietas que viam nas páginas amareladas (ou não) mundos a se explorar e personagens a se conhecer. Um dos grandes nomes do século passado que influenciou diversos outros autores e ainda vem influenciando novos e toda uma nova geração, é J.R.R. Tolkien, autor de O Hobbit e da saga Senhor dos Anéis, que tem sua história contada a partir da cinebiografia Tolkien, lançada pela Fox Searchlight.

Como padrão do catálogo dos filmes da Searchlight, Tolkien é simples em sua narrativa, sem grandes subterfúgios e efeitos espalhafatosos para atiçar a imaginação de seu telespectador. É uma cinebiografia bem pé no chão. Focado em contar a trajetória de Tolkien, de o filho mais velho de uma mãe viúva, a órfão prodígio e amante de línguas, a um aluno fora da curva mas muito inteligente, e o laço de amizade do Clube de Chá e Sociedade Barroviana, o longa é, em grande resumo, uma carta de amor ao autor e respeitoso com os fãs de Tolkien.

A narrativa do longa não é linear, e a falta da linearidade pode estranhar nos primeiros minutos, mas ela é importante para fomentar diversos elementos conhecidos por todos, mesmo aqueles que não são fãs, da obra de Tolkien, e ainda justificar as ações de Tolkien durante a guerra de Somme aliado ao seu passado.

Entre uma cena e outra somos surpreendidos com diversas referências clássicas e bem “Senhor dos Aneis-ish” que são mecanismos para mostrar o quão inquieto e criativo era a mente de Tolkien. Da lenda do Anel, sombras antropofórmicas de personagens conhecidos, nomes citados e uma exploração no amor de Tolkien pela língua, o longa pende para a mitologia conhecida, mas inserida num contexto mais realista, e serve mais de artefato para – como disse anteriormente – elevar a criatividade do autor.

A mensagem do filme pode parecer bem simplória mas é muito efetiva: o valor da amizade. Tanto Tolkien quanto os membros da Sociedade Barroviana, tem um início meio conturbado, mas após começarem a se conhecer e criarem o vínculo, vemos uma amizade que enfrenta os limitadores que cada um enfrenta para alcançarem seus sonhos.

Tolkien é um filme despretensioso, que se torna grandioso por estar falando sobre um dos autores mais importantes para a cultura pop e da literatura de fantasia, e exala – em doses bem singelas – elementos reconhecíveis de suas obras, presentes na vida do autor que mais tarde se tornariam uma história de referência para gerações futuras do gênero e fora do gênero. O longa respeita seu personagem título, respeita os fãs de suas obras, e ainda enche os olhos com um belo filme que fala sobre a amizade de desbravadores da cultura.

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Tolkien

9.5

Com quase os dois pés no chão, Tolkien entrega uma trajetória de um autor consagrado na literatura fantástica ao se ater aos laços de amizade que o personagem fez ao longo de sua vida, enquanto mostra a inquietude criativa de sua mente e inspirações para suaa obras

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