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John Wick 3 – Parabellum

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De Duro de Matar, um filme ícone de natal (?) a Máquina Mortífera, passando por vários ídolos de filmes de ação tão extrema, nada foi tão reconfortante para os fãs deste estilo de longa do que a chegada de John Wick em 2014, um filme fora da curva, com ação tão exagerada que acaba pegando seus fãs pelo pescoço e agradando pela alta dose de adrenalina em tela que se torna um marco para os filmes de ação. E este ano somos agraciados pelo terceiro capítulo – sim, capítulo – John Wick – Parabellum, que traz um ar de busca de redenção pela guerra.

O longa dá continuidade direta ao final do segundo filme, lançado em 2017. Mas o mais importante é que ele por ser uma continuidade direta ele não perde tempo de tela para apresentar seus personagens e suas motivações, então para quem estava em coma desde 2014 com o lançamento de John Wick, ou simplesmente não quis assistir, pode se perder um pouco. Mas nada do que alguns momentos bem definidos ao longo de sua trama carregada de sequências de ação que situe o universo de John Wick. Já começando com John Wick (Keanu Reeves) fugindo em meio a uma chuva em Nova York, após ter quebrado a mais importante regra de sua sociedade de assassinos, ele corre contra o tempo para conseguir proteger quem lhe é importante – seu cachorro, lógico – e se preparar para ter toda sua guilda de assassinos atrás de sua cabeça.

É só isso! Você só precisa saber disso para aproveitar um dos melhores filmes de ação. Mas nem tanto! Todas as sequências de ação são sim inimagináveis e o exagero delas apenas ajudam para amplificar a adrenalina crescente que o filme que começa com um John Wick correndo todo quebrado no meio da chuva pela sua vida entrega nos primeiros segundos de exibição. Keanu Reeves parece se fundir com o personagem ao longo de todas as cenas que você acredita que ele na verdade sempre foi John Wick.

No decorrer do desenvolvimento em poucas palavras – a ação é mais importante aqui – conhecemos mais do personagem de Wick, e toda a oligarquia de assassinos que estão sob as regras da Cúpula (Table), e por mais que temos mais de cinquenta assassinos loucos para ganhar os 14 milhões pela cabeça da lenda que é Wick, o antagonismo precisa ter um rosto fixo, e é aqui que temos a adição da personagem de Asia Kate Dillon, a Juíza. Sofisticada ela flutua entre o perigo iminente de ser contra ela, e a imponência de sua presença. Ainda temos como um antagonista o assassino Zero (Mark Dacascos), que é inserido como um fiel assassino da Cúpula e um dos mais habilidosos, e também um fanboy de John Wick.

Mas ninguém rouba a cena mais do que Halle Berry, e digo isso pessoalmente com um pé no generalismo. Ela é introduzida como uma gerente de um refúgio de assassinos no Marrocos que tem um dívida com Wick e que assim como nosso protagonista, desenvolveu uma relação de confiança com catiorros, e ela junto com seus cachorros traz uma das cenas de ação mais incríveis vista no filme todo. Além de toda a ação que Berry traz, ela ainda adiciona uma camada de drama bem interessante, mas que não influencia em nada a trama ou nem é aprofundado ao longo do longa.

Toda a fotografia e a escolha da paleta de cores saturadas apenas se torna redundante todo o filme: é um soco na cara com tamanho e as proporções a qual John Wick se protege de seus assassinos, assim como a loucura de diversas cenas, mas que são bem trabalhadas em tela e não ficam desfocadas em nenhum momento.

A sensação que o terceiro capítulo deixa é exatamente o sentido principal da palavra capítulo: uma parte de uma história contada aos poucos, com um ensinamento ou um pequeno desenvolvimento dos personagens para o arco final. Lógico que essa explicação não se encontra em um dicionário da vida, mas o longa emerge a sensação que estamos vendo mais um episódio da série de John Wick, uma série bem construída, com umas duas horas de duração por episódios, e um intervalo entre episódios de dois anos ou mais. Isso sem mencionar que estamos a apenas uma semana dos acontecimentos do primeiro filme.

John Wick 3 – Parabellum mostra toda a jornada de Wick buscando uma certa redenção de seus atos e tentando retornar a paz em sua vida, mas que para isso precisa sobreviver a toda a organização de assassinos que o quer morto. E vale lembrar que ele já começa essa história todo quebrado e machucado, e ainda sobrevive no fim, deixando o futuro em aberto para um quarto capítulo que pode misturar muitos elementos sem sentido, mas que apenas se manter a qualidade de suas sequências de ação aliada a um visual tão único para os personagens que é sucesso na certa.

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John Wick 3 - Parabellum (John Wick - Chapter 3: Parabellum)

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Exagerado, fora da realidade, extasiante e pura adrenalina sintetisam parte do que terceiro capítulo de John Wick, Parabellum é para o gênero de ação, que não descança dos primeiros segundos do longa; com sequências alucinantes e cheias de ação exageradas alicerçam a terceira aventura do protagonista da franquia onde a busca por paz precisa passar pela guerra. Casando uma fotografia exagerada, atuações cirúrgicas e exageradas para as personalidades de seus personagens, e não deixando a ação esfriar, Parabellum é mais um passo na jornada de Wick para se tornar o herói-assassino em uma lenda.

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