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Pokémon: Detetive Pikachu (Pokemon: Detective Pikachu)

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Existem poucas franquias que duram. Os Simpsons é a franquia de série animada mais longínqua que existe na televisão estadunidense; Doctor Who é umas das séries de ficção mais antigas da televisão, assim como Star Trek, que ganhou recentemente uma nova série repaginada e moderna. E Pokémon é um dos jogos de console mais duradouros e que ainda estão em alta no mundo dos jogos. A franquia dos monstrinhos de bolso chegou para nós nos anos 1990, e vai ano entra ano, uma nova novidade chega para os fãs mais antigos e para trazer novos fãs para as aventuras dos treinadores destes animais poderosos se reinventando. E este ano chega o primeiro live-action da franquia, Pokémon: Detetive Pikachu, um grande desafio para uma franquia que já teve mais de 20 filmes animados, e mais de 1000 episódios do anime, já que traduzir o estilo lúdico e único do anime em formas realistas e ainda ser fiel para seus fãs é uma tarefa difícil.

A escolha para introduzir está franquia nos filmes live-actions é algo surpreendente: Detetive Pikachu, um jogo Spin-off do jogo clássico, onde o rato elétrico segue pistas com seu parceiro humano para desvendar mistérios. Diferente dos jogos principais, onde o objetivo era caçar pokémon num mapa imenso, batalhar em ginásios e ligas pokémon para se tornar um mestre, a premissa do jogo é mais ousada que insere a sensação do mistério. Ao fugir do clássico conhecido, a Legendary junto com a Warner acertaram em misturar os monstrinhos de bolso com uma história de mistério aliado a essência dos jogos: a amizade.

A história começa quando Tim Goodman (Justice Smith) um jovem que não quer saber dos pokémon que vivem ao seu redor, e precisa formar uma parceria com um pokémon para desvendar um mistério. Quando seu pai é considerado morto, ele vai até Ryme City para se despedir, mas acaba esbarrando no companheiro pokémon de seu pai, o Pikachu (voz de Ryan Reynolds). Tudo seria bem normal se Tim não conseguisse entender o que o Pikachu fala. Sem memória, Pikachu acredita que seu parceiro humano não está morto, e juntos buscam pistas para desvendar o mistério.

Apenas com essa premissa o filme se mantém bem do início ao fim, criando uma sensação de filme policial. Mas o longa cria novas camadas no meio desta busca pela verdade que só quem é fã da franquia está acostumado. Tim demonstra uma questão sobre criar vínculos com um companheiro pokémon, que vão sendo revelados aos poucos, e isso o próprio roteiro se preocupar em soltar pistas ao longo de todo os dois primeiros atos do longa que não se torna cansativo ou explicativo demais; e mostra que está atitude tem relação com seu pai. Sua recusa por um pokémon é confrontado com sua infância por querer ser um treinador pokémon.

Já seu mais novo companheiro gerou diversas polêmicas: já que o rato elétrico teria a voz de Ryan Reynolds, alegou-se que veríamos uma versão de Deadpool no corpo de Pikachu, mas o personagem, por mais soar como o mercenário tagarela da Marvel, não tem nada haver com ele, já que ele possui uma personalidade diferente e única, que condiz com algo relacionado ao elemento elétrico da criaturinha. Desde sua mania por tomar café, até sua personalidade mais brincalhona foge da personalidade sem censura do mercenário.

Mas o maior trunfo de Detetive Pikachu é que ele conseguiu criar visuais fortes dos monstrinhos de bolso, que misturam o estilo fofo do anime, mas ganha texturas mais realistas com design incríveis em tela, que dão a sensação que eles são animais reais. Para os fãs isso é um prato cheio de reações que muitos apenas sonharam em encontrar ou imaginaram como eram na vida real. De todos os pokés que aparecem mesmo em tela, apenas um que pessoalmente fugiu da ideia realista mantendo os clássicos designs do anime, mas de um modo geral, o filme consegue nos transportar para dentro deste universo, e nos faz acreditar neste universo, agradando aos fãs, e sendo visualmente um atrativo para novos públicos.

Apesar do filme – que vem de uma franquia voltada para um público infantil – ter questões bem infantis, o longa consegue conversar com um público bem mais amplo, desenvolvendo a amizade que cria entre Tim e Pikachu, a confiança, a luta pelo reconhecimento, e ainda o motivo pelos mistérios é sobre evolução da relação entre os humanos e os pokémon. E isso é algo fiel a franquia. Existem diversos viradas inesperadas ao longo do desenrolar da trama, que fluem bem, e até momentos forçados no meio do filme, que aparecem do nada, como uma grande catapulta para avançar a história, mas que tem uma explicação mais plausível no terceiro ato.

Pokémon: Detetive Pikachu consegue trazer uma história que foge da história clássica de Ash nos animes, e não se preocupa que tenha uma conexão forte com este personagem, ou com qualquer outro clássico, como Red, Blue e outros; possuindo vários referências as regiões e as mecânicas do jogo, mas se foca em desenvolver uma história própria, com personalidade e que honra a essência dos jogos. Com visuais realistas que são fiéis ao estilo mais fofo que o anime criou misturado aos elementos reais, a interação dos Pokémon com os humanos traz a sensação para qualquer jogador da franquia sonhou em seu mais íntimo sonho, podendo ter um amigo como Bulbasaur, Arcanine, Snubbull, Psyduck, ou até mesmo um Pikachu viajando nos ombros.

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Pokémon: Detetive Pikachu

8.5

Apostando em uma história original, fugindo das já conhecidas histórias dos jogos e do anime, Detetive Pikachu se foca no desenvolvimento da essência dos jogos ao construir a amizade entre o humano e o pokémon, e entrega visuais fortes dos monstrinhos de bolso, que agrada os fãs mais antigos, e ainda consegue transportar a sensação de realismo para os telespectadores. Longa atinge com nostalgia os fãs mais antigos, e ainda é visual e narrativamente atraente que flutua entre o produto infantil com uma temática mais profunda e densa

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