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Hellboy

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Estamos no auge da era dos super-heróis nos cinemas. É um fato! Quando vamos ao cinema para assistir a conclusão épica dos onze anos da Marvel, ou vamos conferir a nova identidade da DC Comics nos cinemas com seus filmes com tons distintos e independentes uns dos outros, comprovamos que o gênero do super-heróis de quadrinhos não vai morrer tão cedo. Até para as telinhas os supers estão conquistando. Mas neste multiverso de editoras, personagens, mitologias e conceitos dá aval para histórias que fogem da curva. Hellboy é um destes diversos títulos que foge do clássico herói, e que já ganhou uma adaptação para o cinema nas mãos do criativo Guillermo del Toro, que tem suas questões com os fãs, e ganha mais uma adaptação que não cumpre o prometido de entregar uma versão mais crível do personagem com uma história muito mal trabalhada.

Poderia terminar aqui este artigo, pois o que vem pra frente é ladeira a baixo: a sinopse conta a batalha do filho do inferno Hellboy (David Habour) na missão de impedir que a Rainha de Sangue, Vivienne Nimue (Milla Jovovich) se reintegre e invoque as hordas demoníacas para se vingar dos humanos. A primeira camada é o clássico dos filmes que envolve um ser demoníaco, previsível, mas que logo nos primeiros minutos – e não estou de brincadeira – entrega um roteiro apressado – literalmente – e sem qualquer cuidado soando falso todas as falas, motivações e reações.

A introdução, que apresenta a história de Nimue lembra muito os flashbacks de Luiz (Michael Peña) de Homem-Formiga, mas que destoa por ser um filme com teor de horror, e pessimamente executado. Visualmente a cena até é estilizada, mantendo as cores preto e branco, apenas destacando o vermelho, mas a contação de história da vergonha alheia de Ian McShane por ter dado a voz para contar a história da vilã. E este ponto se repete não mais uma vez, mas três vezes. Revemos a história de origem do Hellboy, revemos a história de origem de Alice Monaghan (Sasha Lane), e vemos a origem do homem leopardo. A história se torna expositiva a ponto de se tornar cansativa reintroduzindo – ou introduzindo pela primeira vez – os personagens.

É compreensível que para um leigo que não conheça a origem do garoto do inferno, conhecê-la pode ser importante, mas não que tome dez minutos de tela, que poderia ser resolvida com apenas uma fala. Com a “perda” de tempo contando a origem dos personagens, o que sobra são poucos minutos para apresentar a ameaça de Nimue, sua motivação, e a relação dela com Hellboy. A sensação que dá é que os atores tentaram ao extremo fazer um bom filme, mas se o roteiro e a clareza como seus personagens se apresentam não fica clara e não bagunçada, fica difícil agradar.

Apesar de toda a história ser desestimulante, o filme entrega de forma razoável um visual amedrontador. O visual de maquiagem prostática de Hellboy, pessoalmente, incomodou um pouco parecendo literalmente um homem com uma máscara, mas personagens como Baba Yaga tem uma presença amedrontadora e tão limpa que faz você acreditar na sua existência, e a atriz que a interpreta entrega um excelente linguagem corporal para criatura.

A cena do apocalipse bem visceral com os demônios a solta me lembrou muito uma cópia de uma cena de uma anime, onde tinha a mesma idéia: demônios gigantes matando de forma extremamente explícita e sem limites humanos, partindo ao meio, cortando, atravessando-os, e nos últimos trailers isso visualmente deve ter chamado a atenção, mas tem uma duração bem rápida, e para quem não gosta, não é uma cena agradável.

A sensação que fica é que faltou algumas explicações, já que o filme se preenche em apresentar a história ao invés de só mencionar, ganhando tempo; faltou um roteiro bem mais trabalhado e que converse com o fã de Hellboy; faltou um cuidado maior com o personagem e com sua história que acaba sendo um filme que será lembrado por desagradar.

Hellboy tem muitos defeitos. É um fato. De se preocupar em reinserir novamente a origem do herói demoníaco se torna desnecessária – Homem-Aranha aprendeu esta lição – a simplesmente faltar um tato maior do diretor e dos próprios roteiristas de apenas capturarem mais a essência da história e seu tom e trazê-la ou adapta-la para às telonas. Salvando apenas o visual protético e o trabalho de David Habour em tentar entregar um personagem carismático, Hellboy se perde completamente ao trazer um filme apressado que mais se preocupa na origem de seus personagens do que integra-las na história mal trabalhada.

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Hellboy

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Com expectativas dúbeis, Reboot de Hellboy se preocupa mais em contar a origem dos personagens, de forma expositiva desnecessária, e não se foca em desenvolver a história que parece uma colcha de retalhos de tentativas falhas, que se apoia no peso e carisma dos atores que não funciona tão bem quando a primeira adaptação do menino do inferno

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