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Game of Thrones S08E04 – The Last of Starks

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De você já acompanha Game Of Thrones há algum tempo, não importa se desde 2011 quando a série estreou na HBO, ou até mesmo há dois anos, na sétima temporada, ou começou no ano passado, quando não teve nenhum episódio novo, mas você queria se manter em dia para se preparar para o fim – você sabe que há episódios cheios de ação como The Long Night, e episódios formados por conversas e interações. É um inevitável! E The Last of Starks, quarto episódio da última temporada se alonga em seus quase oitenta minutos, com conversas para resolver questões deixadas antes da Grande Guerra, e para definir o futuro nos últimos episódios restantes.

O episódio em si é visivelmente dividido em duas partes: os primeiros quarenta minutos focamos nos acontecimentos pós guerra, e como cada personagem lida com o fato de estarem diante da morte e terem conseguido sobreviver. E a maioria das conversas que constroem o episódio acontece durante a fadada festa de castelo. As conversas parecem ser aleatória, e de certa forma até que são. Mas algumas são bem importantes para encerrar arcos, e darem aos telespectadores a chance de personagens que ainda não tiveram a chance de conversarem e se resolverem, fazerem isso.

Cão (Rory McCann) e Sansa (Sophie Turner) no quarto episódio de Game Of Thrones. Créditos: HBO/Reprodução

O principal – pessoalmente – é a conversa de Sansa (Sophie Turner) e o Cão (Rory McCann), que tiveram uma relação complexa lá na segunda temporada, quando ele era o protetor do rei, e ela a prometida/prisioneira do rei. Foi um momento importante para compreendermos mais de Sansa e o gatilho para colocar Sandor Clagane de volta ao eixo. A conversa baseada nos destinos e provações que, principalmente, modificaram a Lady de Winterfell, e que suas trajetórias os levaram a aquele momento e construíram as pessoas que estavam ali naquela noite.

Sansa ao todo momento neste episódio mostra o quão inteligente estrategicamente ela se tornou ao absorver as melhores partes de todos que passaram em sua vida. Se ninguém tinha visto isso nos últimos episódios, e notou a mudança, neste episódio todos os “conselhos de amiga” que ela deu acabaram se voltando para as pessoas que não a ouviram. É muito interessante comparar toda a trajetória de dor, sofrimento, provações e tortura psicológica – e física, às vezes – que a transformaram na líder natural com uma mentalidade tão afiada para perceber o melhor momento para agir, recuar e repensar estratégias.

Jon Snow (Kit Harrington), Sansa Stark (Sophie Turner), Arya Stark (Maisie Willaims) e Bran Stark (Isaac Hempstead-Wright) em frente a árvore coração. Créditos: HBO/Reprodução

O episódio foi nomeado O Último dos Stark, e já que estamos falando de Sansa, voltemos nosso olhos para os outros Starks vivos. Aliado ao título do episódio, a sensação que os primeiros minutos nos deram, é quase improvável que veremos nos próximos dois episódios algum desenvolvimento no Norte. A sensação é de despedido dura e gelada, como é Winterfell. Boa parte dos personagens divergiram do Norte para seus destinos, e a maioria rumou para o Sul. Mas o foco aqui são os Starks.

Desde seu início de temporada é evidente que existe uma rachadura, a mínima possível nos Starks. E a conversa dos lobos na árvore coração reforça que o que mantinha eles unidos, de vez se obliterou. Esta é outra cena belissimamente construída repleta de referências e que conversa com o costume de Ned Stark (Sean Bean) ao conversar com sua esposa, Catlyn (Michele Fairley), lá na primeira temporada. O importante desta cena é que todo o roteiro respeitou os personagens presentes – lógico, depois das modificações que seus personagens sofreram com suas jornadas – e desta conversa foi determinante para os novos rumos tomados pelos personagens e pela história.

Desta conversa vem a fagulha para cimentar possíveis acontecimentos dos próximos episódios: a verdadeira identidade de Jon Snow (Kit Harrington). Agora com suas duas irmãs também sabendo sobre sua hereditariedade, Jon parte para o Sul – com despedidas bem estranhas – para auxiliar sua rainha/tia a conquistar o Trono de Ferro. Mas após sua despedida tão fria quando o Norte, principalmente para seu bem machucado lobo Fantasma, não vemos mais Jon no episódio, que episódio se volta para Daenerys (Emilia Clarke). E vem todo o drama.

Daenerys Targeryen (Emilia Clarke). Créditos: HBO/Reprodução

Já estava escrito que alguma desgraça aconteceria. Sansa já havia jogado a real: espera, estão todos cansados, feridos… até um de seus dragões! Mas a Rainha dos Dragões simplesmente não ouviu. Esquecemos até a facilidade de atingir um dragão em pleno vôo não apenas com uma mas quatro flechas de balestras. A cena é excruciante. Se a morte de Viserion na sétima temporada chocou pela destreza do Rei da Noite (Vladimir Furdik), a morte de Rheagal é angustiante. Ainda mais sabendo que ele foi o que mais se feriu ao lutar contra seu falecido irmão.

Essa baixa é claramente para deixar os lados mais equilibrados. E se não fosse apenas isso há outra baixa do lado da Mhysa. A conversa indireta de Cercei (Lena Headey) com Tyrion (Peter Dinklage) resultando na morte de Missandei (Nathalie Emmanuel). Isso apenas faz com que o lado louco da família de Daenerys emerja e prepare para a Batalha pelo Trono que começará no penúltimo episódio.

Exércitos de Daenerys (Emilia Clarke) contra os de Cercei (Lena Headey). Créditos: HBO/Reprodução

The Last of Starks parece um grande episódio de despedida do Norte. Começando pela despedida dos que pereceram, até a ruptura quase que total de todos os Starks, e quebra todas as relações de Jon Snow com seus amigos e aliados desde o início, e já prepara as duas rainhas às vésperas pela batalha pelo Trono, deixando as chances equilibradas após a precipitação em agir sem antes pensar da quebradora de correntes. O episódio ainda respeitou diversas trajetórias, da Arya recusando ser a Lady de Ponta Tempestade pelo recém nomeado Lord Gendry Baratheon, até sua partida junto ao Cão rumo ao Sul; até momentos constrangedores e cheios de vergonha alheia, o episódio foi um grande transitor entre as duas batalhas da temporada.

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