CríticaFilmes

Dumbo

0

A fase atual da Disney pode ser uma grande incógnita: recriar grandes clássicos da era de ouro de suas animações em grandiosas produções em live-action é uma faca de dois gumes. Muitos fãs ficam em cima do muro quando ouvimos o anúncio que a empresa do rato vai recontar a história de Mulan, Aladdin e outros grande títulos que deram a estes filmes uma fama sem precedentes, lembrados por muitos até hoje. Enquanto alguns acabam escorregando em ser uma grande cópia-e-cola como A Bela e a Fera, já outros tenta renovar suas narrativas e histórias, como a história de Malévola, este ano reserva alguns títulos que podem gerar a mesma sensação de falta de criatividade ou uma sensação única de nostalgia misturada com novidade em suas releituras. O primeiro filme desta leva do ano fica no meio termo: Dumbo resgata a nostalgia e cria um visual mais ousado, mas a história se torna esquecível.

Tornar as grandes fábulas da Disney da era clássica é um papel difícil: a proposta de trazer certa realidade a um material cheio de magia é algo que precisa de limites, e Dumbo não recria aonpe da letra a história do pequeno elefantinho com grandes orelhas capazes de voar. A história, diferente da animação, gira em torno da jornada de seus personagens com um elemento excêntrico que é o pequeno Jumbo, ou ridicularizado com o nome de Dumbo após sua primeira apresentação.

Excêntrico é a palavra certa para este filme. Desde seu mundo criado, até o visual, o longa é de longe o mais excêntrico e lúdico de todos os live-actions da Disney da nova era. E esse visual casa bem com seu diretor. Chega a ser uma redundância falar que os filmes de Tim Burton são excêntricos e lúdicos, e como seus trabalhos anteriores na Disney, Alice No País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, Dumbo parecia o menos lúdico possível, já que o mundo subterrâneo a brincadeira com formas e cores só tinha a imaginação como seu limitador, Dumbo ainda é uma história mais terrena.

Mas apenas pela elemento do circo a excentricidade lúdica (um grande pleonasmo) de Tim Burton poderia ser explorada em sua totalidade. O visual colorido, como um mundo a parte, o mundo do circo, tanto dos Irmãos Medici quanto a Dreamland são vem destacáveis do cinzento mundo de concreto do início do século XXI. E nestes espetáculos toda a magia do circo poderia ser explorada sem limites dentro desta fábula, que se tornou mais num drama familiar pouco explorado.

Se o visual é de pura magia e de tom lúdico, os personagens se tornarem meros peões dentro da história. A sensação de todo o desenvolvimento dos personagens é que houve um desperdício de temas que poderiam ser inseridos na trama. Do pai que retorna da guerra com um braço amputado, da filha visionária que busca o reconhecimento pela sua inteligência e se tornar uma cientista, até do dono do circo Medici e sua ganância por dinheiro versus o valor que ele dá para sua família circense, e sua relação com um certo macaco. Todos os personagens apenas mantém-se numa superfície segura e poucos aproveitada.

O filme foge da clássica fábula onde animais falam, mas o trabalho de CGI do Dumbo – por mais assustador seja deixo mais antropomórfico – a fofura de suas ações atrapalhadas, a emoção exagerada de seus grandes olhos, até sua insegurança em voar sem o amuleto de coragem são bem aceitáveis. Não é nada magnífico. E deste amuleto, que nada mais é que a famosa pena (ou qualquer pena) que Dumbo se sente seguro em alcançar vôos mais altos trás um paralelo tanto com a animação clássica, quanto com a ligação de Dumbo a Milly, a jovem cientista, que também encontra em seu amuleto segurança em seguir em frente em seus sonhos, dado pela sua falecida mãe.

Dumbo pode ser um filme com um roteiro superficial e esquecível, com personagens pouco aproveitados, mas com certeza a escolha de seu diretor acertou em cheio em explorar um mundo lúdico e excêntrico do circo, misturando a realidade palpável dos espetáculos, com a magia imaginativa que esses artista nos proporcionam, num mundo com cores vibrantes e com uma mensagem bem básica de confiança nas suas próprias forças, mesmo que fracamente desenvolvida. Dumbo é um espetáculo visual que se destaca da realidade fria e acinzentada e nos transporta para um mundo onde a imaginação é nosso maior limitador.

0

Você Pode Gostar!