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The Gifted (2ª Temporada)

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Manter o sucesso de uma primeira temporada não é fácil. Manter o sucesso de uma franquia que sofreu com outras adaptações do mesmo universo duvidáveis e bem questionáveis pelos fãs é ainda uma tarefa ainda mais complicada. The Gifted chegou na temporada passada como um suspiro fresco de uma história que não se prende a imagem e força que os X-Men tem no mundo dos quadrinhos e dos super-heróis, e construiu uma história de sobrevivência que ressalta a diferença em sua primeira temporada altamente comentada, mas sua segunda temporada, que foi finalizada há poucas semanas acabou sofrendo com a Maldição da Segunda Temporada, em arcos desestimulantes e desenvolvimentos confusos dentro da rebelião que estavam crescendo.

Seja porque os direitos dos X-Men estivesse indo para a Disney, e de volta para a Marvel, seja por uma conflito de ideias a cerca do desenvolvimento de levante mutante, The Gifted iniciou sua segunda temporada com uma premissa até interessante, mas que perdeu seu norte ao longo de diversas tramas que não levavam a nada ou são simplesmente dispensáveis que não mereciam ser contadas. E essa sensação para a primeira adaptação que aquecia o coração dos filhos do átomo por uma representação mais raiz da história, acaba sendo decepcionante.

De modo mais generalista, The Gifted manteve muitos elementos presentes da primeira temporada, como a luta por liberdade dos mutantes remanescentes da Resistência (Underground), exploraram ainda mais o passado dos personagens principais, com foco no renascimento da Fenris em Andy (Percy Hynes White)e Laurel (Natalie Alyn Lind), assim como incluir Reed (Stephen Moyer) nesta equação; ainda tiveram tempo de estabelecer a ruptura entre os personagens principais colocando-os em lados opostos de uma guerra misteriosa e confusa.

A parte mais confusa desta temporada está na motivação dos personagens, e suas ações. Muitas vezes ações de um grande episódio facilmente poderia ser resolvido em uma cena, e toda a jornada até aqui não dependesse de mais da metade das missões que eles se envolveram. Mas a série tem seus pontos positivos, como a evolução dos poderes de Laurel, e a fina relação entre a luz e as trevas que reside no sangue Von Strucker, além de inserir Reed como um mutante com poderes fora do controle por ter suprimido por anos.

Apesar do desenvolvimento pouco explorado de Reed e seus poderes, e a decisão de mantê-los ainda mais suprimidos, a série apostou bem em descaracterizar as irmãs Coccko (Skylar Samuels) e ainda se aprofundar em seu passado, dando a Esme o protagonismo entre suas irmãs que estão mais envolvidas com a causa do Círculo Interno. Outro ponto forte desta temporada foi a relação de Polaris (Emma Dumont) e seu pai, que por mais que não dito especificamente na série, e também não apareça de fato, está presente na decisão da mutante magnética com sua filha Aurora.

A antagonista, Reeva (Grace Byers), por mais ameaçadora, não consegue manter sua imagem como grande vilã, além de trazer os Purificadores, extremistas paramilitar, mais incisivos na trama, liderados pelo ex-agente Turner (Coby Bell), ajudaram em apenas compor um contraponto pouco estimulante. Temos Thunderbird (Blair Redford) sem foco em sua nova missão de proteger mutantes mesmo a Resistência em decadência; Blink (Jamie Chung) dividida entre apoiar Thunderbird e ajudar outros mutantes; e Eclipse (Sean Teale) vivendo em função da filha recém-nascida que não tem permissão de cuidar dela.

The Gifted ainda termina como uma esperança, seja apenas um artifício para explorar novas histórias, novos personagens – conhecidos e canônicos, ou novos personagens criados exclusivamente para a trama – ou apenas uma brincadeira dizendo que agora, The Gifted pode ser produzida sob a asa da Marvel Television, a série não emplacou o mesmo espírito que sua primeira temporada, que deveria manter um nível de desenvolvimento aliado aos acontecimentos de uma revolução mutante, mas conseguiu aprofundar, mesmo que pouco, as relações dos personagens e esperaremos para novas aventuras do grupo mais querido dos quadrinhos.

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