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Primeiras Impressões | Coisa Mais Linda (1ª Temporada)

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Estamos vivendo um momento importante dentro do entretenimento. A representatividade por várias classe sociais vem ganhando força nos últimos anos e provocando grandes mudanças dentro do cenário do entretenimento. Num mundo onde Pantera Negra, Mulher Maravilha, Moonlight e Green Book são grandes blockbuster (para os dois primeiros), ou vencedores do maior prêmio do cinema (para os dois últimos), a representatividade é um elemento para suas narrativas. Num tempo como este, as mulheres começam a ganhar ainda mais espaço como protagonistas de suas próprias histórias, e Coisa Mais Linda exerce um papel em ter a representatividade em seu quarteto de mulheres diversas, além de apresentar uma época pouco explorada que vai ser conhecida mundialmente, os anos 1960.

Com toda a certeza eu sou a pessoa menos indicada para fazer uma Review dos primeiros episódios, e também a crítica desta série. Então evitarei ao máximo este texto ser mais um mansplaining.

A história começa quando Maria Luisa (Maria Casadevall) desembarca no Rio de Janeiro na esperança de começar uma nova vida ao lado de se marido. Mas Malu – como vem a ser chamada na capital carioca – acaba sendo abandonada e tem seu dinheiro roubado pelo seu ex-marido. Tentando se reerguer, ela decide permanecer no Rio, e começa a construir um bar com a ajuda de sua nova amiga Adelia (Pathy Dejesus). No meio disso, sua amiga de infância e a cunhada dela acabam se envolvendo neste sonho de Malu, e suas vidas são mudadas numa sociedade conservadora e machista da década de 1960.

Todo conteúdo de entretenimento é o um reflexo da sociedade em que vive, e por mais que ele se passe em uma época que já aconteceu, mesmo a história seja uma ficção, a primeira barreira de familiaridade é quebrada no telespectador, mas toda a trajetória de Malu, Adelia, Lígia (Fernanda Vasconcellos) e Thereza (Mel Lisboa) se destacadas a época, são histórias que muitas mulheres vivem atualmente. E é aqui que os primeiros episódios tentam assimilar ao telespectador a época em que a história se passa e os desafios que cada uma enfrenta.

Enquanto Malu se volta contra a segurança que sua família lhe dava quando morava em São Paulo, e decide batalhar pelo seu futuro sozinho na capital fluminense, enfrentando a falta de direitos que uma mulher convivia na época, temos Lígia, melhor amiga de Malu, que se tornou submissa em seu casamento, e deu as costas a seu sonho de ser cantora. Já a cunhada de Lígia, Thereza vem na contramão à época, sendo uma mulher a frente de seu tempo, trabalhando em uma revista feminina e num relacionamento aberto.

Adelia é a única que se destaca da jornada das outras três mulheres. Enquanto todas as outras enfrentando, cada uma a seu modo, o machismo e a misoginia, Adelia, por ser negra, enfrenta o preconceito racial imposto pela sociedade branca elitista. Que não apenas enfrenta dos homens, como das mulheres, tantos destes mesmo homens, quanto de sua nova colega.
Mas nós três primeiros episódios a personalidade destas mulheres são bem apresentados, além de seus dilemas dentro da sociedade e de suas famílias, seus sonhos e as limitações que acabam impedindo seus avanço. A história segue uma cadência entre a novela brasileira, sem se perder em diversas narrativas adjacentes e que não influenciam na história destas quatro mulheres. É visível que a trama ainda aprofunda a relação mais próxima das protagonistas e mostra que a força que elas perdem dentro de suas trajetórias pessoais é contraposto pela amizade que elas criam.

Como uma história musical, a música é outra personagem importante para a construção da história. Como a premissa da série, a música de bossa nova não apenas é apresentada de forma mais didática pelos músicos da série, como dita o ritmo mais cadenciado de todos os episódios. Mas não penas a Bossa Nova é presente como o Samba e outros ritmos característicos à época estão presentes. A fotografia e a produção também incrementam a história nos entregando paletas mais pastéis e opacas, com o detalhamento de todo o cenário dando vida aos anos 1960.

Coisa Mais Linda é além de uma história que quer apresentar um ritmo musical próprio do Brasil não apenas para o mundo, mas para todos os brasileiros, mas reforça o quão atual a luta pela igualdade de direitos femininos é, desde uma época mais fechada onde mulheres não tinham muitos direitos, em comparação ao hoje, quando nossa sociedade é mais aberta, mas mesmo assim existe a desigualdade. Coisa Mais Linda se destaca pela relação de apoio entre as personagens na busca por cada uma de independência e de seus sonhos, quando as mesmas são impedidas de tê-los.

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