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Capitã Marvel (Captain Marvel)

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Quando ouvimos que a Marvel está trabalhando em alguma nova história de super-herói para levá-lo, ou levá-la para os cinemas, já esperamos a famosa fórmula de sucesso que fez do estúdio, junto a Walt Disney, o sucesso da última década. Mas a fórmula endurecida vem se moldando com mudanças, mesmo que mantenham certos pontos dentro da narrativa e do visual da história. Pantera Negra, Vingadores: Guerra Infinita e Thor: Ragnarok por mais que sigam essa cartilha, utilizam discursos, visuais e narrativas inovadoras para o Manual Marvel de Sucesso no Cinema, que esperasse que mantenha a mesma pegada para os próximos filmes. Porém, Capitã Marvel, primeiro filme do MCU com uma heroína no centro da história, e peça importante para Vingadores: Ultimato, regride em criar uma história de origem básica aos moldes dos primórdios do MCU.

Diferindo de sua construção básica mais linear para contar sua história de origem, Capitã Marvel utiliza de flashbacks para explicar a origem da heroína antes de se tornar Vers, pontuando momentos que constrói uma heroína buscando sua origem. Em um panorama mais generalizado, Capitã Marvel é básico demais, assimilando em sua narrativa dos filmes da Fase 1 do MCU, e isso pode ser desmotivador para quem vaia assistir, mas se analisar pontualmente certos elementos em sua história, o filme consegue entregar a função deste filme: apresentar Carol Danvers (Brie Larson) como aquela capaz de derrotar Thanos (Josh Brolin), e ainda ser a líder da nova fase da Marvel nos cinemas.

O longa nos entrega um dos arcos mais importantes dentro da casa das Ideias, a Guerra Kree-Skrull, mas apenas em sua superficialidade. Para conhecedores das HQs, está guerra é mais complexa e remonta a milênios dentro do universo dos quadrinhos. Mas o filme nos apresenta de forma satisfatória dessa guerra de raças intergalácticas, e ainda mantém sua ideia sobre a raça Kree apresentada em Guardiões da Galáxia.

A principal apresentação em um novo universo fica para inserir a raça dos Skrulls dentro do MCU, mas enganasse aquele que acha que o arco de Invasão Secreta será explorada tão cedo. Além de apresentar a dinâmica da raça metamórfica, conhecemos a terra natal dos Kree e vemos mais de sua mecânica de guerreiros hierárquicos.

Já da nossa protagonista temos a nítida sensação da busca pela sua essência. Literalmente! Enquanto que a construção de sua história leve-a para encontrar sua origem, Brie Larson de mostra, mesmo que carismática no papel, relutante em vestir o manto de heroína mais poderosa do MCU. Essa relutância é bem quebrada ao longo das duas horas de filme, que a mostra mais a vontade com seu papel, e parece entender a importância da personagem dentro do cinema de super-heróis da atualidade.

Enquanto que a principal jornada do longa seja Vers buscar sua origem como Carol Danvers e então assumir o manto de Capitã Marvel, o elenco é o grande ponto deste filme. Mais especificamente a química entre eles. Sempre em história de monólito, vemos o herói acompanhado por mais dois companheiros, e em Capitã Marvel, ela, Nick Fury (Samuel L. Jackson) e o gato (não-tão-gato-assim) Goose formam uma tríade tão carismática e interessante que queremos mais aventuras deles. E sim, Goose rouba a cena em todas suas aparições.

É importante ressaltar que o filme é da Capitã Marvel, e mesmo que todos os personagens sejam bons em cena, e suas parcerias sejam o mais atrativo na história, todos eles são importantes para a construção da personalidade de Carol Danvers – que ao contrário de sua contraparte na DC nos cinemas, a Mulher Maravilha – é jovial e divertida, não uma deusa poderosa em busca de justiça. E essa personalidade única serve de contraponto único para uma personagem que não precisa ser superpoderosa em suas ações para ser a pedra no sapato de Thanos. Essa diversão é bem feita na cena final com os ataques de Ronan (Lee Pace), que retorna a franquia do MCU.

Apesar de uma aventura noventista que não é tão sentida na história, Capitã Marvel tem uma mensagem muito sólida sobre ser uma mulher dentre os heróis da Marvel. Sua personagem já é algo que teve uma trajetória conturbada na quadrinhos, mas que aqui mostra a importância de nunca desistir de seus sonhos, por mais que a sociedade conservadora diga o contrário, e o fato de se levantar e continuar lutando é a grande mensagem ao longo de toda a história.

Capita Marvel por mais que seja uma construção básica e seguir o modelo Marvel de sucesso, com um visual pouco impressionante, efeitos visuais fracos, consegue apresentar bem Carol Danvers, fecha lacunas importantes para todo o universo da Marvel, dando respostas que vários se perguntaram no passado, mas não obtiveram respostas, além de mostra em tela a quebra da resistência da atriz em finalmente assumir o manto da heroína ao mesmo tempo que coloca a personagem em busca de sua verdadeira identidade e assume o legado de Mar-Vell (Annette Bening), personagem envolvida em sua origem nos quadrinhos, que sofrem uma bela adaptação para os tempos atuais.

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