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The Umbrella Academy (1ª Temporada)

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Existe um dita popular que fala que “mãe é tudo igual, só muda de endereço”. Pode-se estender este dito popular em “família é tudo igual, só muda de endereço”, e apesar das diversas diferenças pessoais e sociais, família em si, acaba sendo tudo igual, com suas particularidades, e The Umbrella Academy expõe esse dito diversas camadas, adicionando uma história de super-herói básico bem contado.

A primeira temporada da adaptação das HQs de The Umbrella Academy chegou a Netflix com um grande hype, e se depender de pessoas que querem algo diferente do que estamos tendo na última década em questão de história de super-herói, pode se surpreender com o desenvolvimento desta história, mesmo que utilize de recursos básicos clássico de histórias de super-heróis: o apocalipse. O recurso básico da base para desenvolver mais os personagens, que são ricos em seus dilemas e personalidades.

A série se propõe a criar empatia por todos os personagens, e isso é o principal fio condutor que mantém a atenção nos dez episódios. Mesmo que alguns personagens criem raiva em determinados momentos, por razões diversas, e como já dissemos no artigo de Primeiras Impressões, compreendemos as razões que cada personagem se comporta, entendemos suas personalidade e dilemas, e nos importamos com isso. E mais importante é que a série se torna mais uma dramédia familiar com personagens carismáticos.

Compreendemos a questão paternal e a lealdade cega de Luther (Tom Hooper); a rebeldia de Diego (David Casteñeda) e sua personalidade a contraponto de Luther – com um adicional a sua relação mais tenra com a mãe. A personalidade conciliadora de Allison (Emmy Raver-Lampman), e sua questão mais materna em função de sua habilidade; a excentricidade meio chapada e despreocupada de Klaus (Robert Sheeran); a inteligência e sabedoria sarcástica de Cinco (Aidan Gallagher); a introspecção emocional e social de Vanya (Ellen Page).

Até os antagonistas tem suas peculiaridade em ser carismático e interessante, sempre criando uma balanço entre a iminente cena de ação mais violento, aliado a comédia mais pastelão das ações de Cha-Cha (Mary J. Blige) e Hazel (Cameron Britton). E esse equilíbrio entre o drama familiar, a ação de um filme de super-heróis e supervilões, e a comédia mais pastelão é ótimo em tela, o que tem uma coesão em sua trilha sonora, que embala todos os episódios algo nostálgico. Todo o visual da série também se propõe a ser algo nostálgico, com os dois pes jo estilo cinquentista, desde as roupas e maquiagem, até os ambientes, carros e toda o ar mais antigo que a série apresenta, apesar de saber que a história se passe em 2019.

Eu possuo uma defasagem para a série em si: como ela é uma obra baseada nas história em quadrinhos vencedora do Eisner 2008, eu não conheço a história criada por Gerard Way e desenhada por Gabriel Bá, mas vendo mais como uma série de super-herói, The Umbrella Academy constrói tanto uma trama – que mesmo arrastada pelos episódios – bem resolvida e completa, desenvolvem e cria empatia por todos os personagens, ainda dando camadas de todos eles, e reforça a importância da família, a relação entre os irmãos, sendo que esse último é essencial para a conclusão da trama da primeira temporada.

Por ter a produção dos criadores, a série dá a impressão de ter mantido vários elementos essenciais da história das HQs, e ainda trouxeram uma diversidade nos personagens vista desde o primeiro episódio. Mas isso não se torna uma questão, já que todos os seis filhos de Richard Hargreeves se consideram uma família acima das diferenças.

Existem diversos momentos narrativos previsíveis, mas não são desestimulantes. São bem pontuados e quando revelados, fazem certa diferença para a história que acompanhamos. Outro ponto é a necessidades, em algumas cenas, da simetria visual, sempre centralizando, e com o ambiente simétrico de cada lado. Até as habilidades dos órfãos são bem apresentados, sem uma necessidade didática de falar exatamente o que cada um pode fazer.

Apesar de não impedir o inevitável, The Umbrella Academy é uma série bonita visualmente, com seu filtro amarelado, interessante e intrigante que constrói uma trama mais focada nos dilemas pessoais dos personagens, e consegue criar uma empatia absurda em todos os personagens, sem deixarem um personagem de lado. Chega até ser difícil escolher seu favorito, até com os antagonistas. Até mesmo com o vilão, você compreende o combustível que leva a ser o vilão da história. The Umbrella Academy tem tudo que muitas séries mais básicas de super-heróis tiveram em seu auge, e que mesmo utilizando recursos passados e já conhecidos, apresentam de uma forma totalmente diferente e única, e cheia de camadas que queremos ver mais e mais de todos.

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