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Alita: Anjo de Combate (Alita: Battle Angel)

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Quando o assunto é uma produção de James Cameron podemos esperar que a mesma demore anos até chegar a luz das salas de projeção. O perfeccionismo do diretor em construir não apenas um filme de alto orçamento, mas também com tecnologias cinematográficas que revolucionária a indústria chega a ser visionário. E um grande desafio para o diretor é explorar uma cultura tão complexa em suas formas de contar histórias como a sua própria forma: as histórias orientais, os mangás/animes. Apesar de sua fama atual de ser um campo minado para produtores ocidentais se aventurarem em histórias orientais, Alita: Anjo de Combate ganha uma vida nos cinemas com uma grande produção visual, mas que não foge dos problemas que se tornaram tabu para adaptações de mangás.

A história baseada no mangá homônimo, Alita (Rosa Salazar) é uma ciborgue construída por um cyberdoutor que a encontra no lixão do mundo flutuante. Com seu cérebro intacto, o doutor Ido dá a Alita – que até então, não possui nome – um corpo novo, e sem memória quando acorda, ela começa a explorar o mundo da Cidade de Ferro. Mas quando sua verdadeira identidade ameaça a ordem natural da sociedade do século XXVI, a cidade flutuante manda exterminar aquela que pode ocasionar sua queda.

Envolta em uma fotografia minuciosamente detalhada e repleta de detalhes, Alita: Anjo de Combate insere o fantástico mundo do cyberpunk, mas diferente das já conhecidas produções que utilizam esse universo, como Blade Runner e Altered Carbon, o longa traz o mundo ao claro dando-lhe cores, formas e detalhes com engrenagens, fios e aparelhos que compõe todo o visual. Além deste visual incrível de um mundo pós-apocalíptico, algumas cenas mais selvagens compõe sua fotografia que ganha novos tons assistindo no formato mais impressionante.

Mas existe outro ponto positivo: as cenas de ação. Se o visual ajuda a construir um mundo complexo e cheio de detalhes, vemos muitos deste nas cenas de ação, que se utiliza muito bem das cenas slow-motions para dar ênfase às cenas que são bem feitas, mesmo que a maioria tudo em CGI. Não é incômodo ver as cenas com mais adrenalina em CGI, fazendo parecer como se fosse uma grande animação, mas o CGI é algo presente, já que é a base da personagem título, que não chega a ser incômodo, já que o trabalho dos detalhes humanos trazem um sentimento de empatia pelos grandes olhos de Alita e sua complexidade de emoções presentes em seus olhos e suas feições.

Apesar de tamanha beleza e grandes cenas de ação, os pontos positivos de Alita acabam aqui. Pois todo o resto acaba sendo ou pontos negativos, ou pontos confusos e totalmente desnecessários. A começar pelo roteiro, que mais parece um trabalho de patchwork de diversos arcos do mangá sem um cuidado de transitar entre os arcos mais coerentemente, ou criar uma coesão entre eles mais interessante do que blocos determinados dos clássicos arcos narrativos de cada volume de uma edição do mangá visíveis em sua construção como uma adaptação cinematográfica.

Você pode ter a mesma sensação estranha ao sair do cinema de não ter conhecido nada importante que nos faca acreditar na jornada de Alita, ou simplesmente não conhecemos o vilão do filme, mesmo que Mahershala Ali desempenhe um papel mais como antagonista, a marionete do verdadeiro vilão, que nada mais passa de uma presença psíquica, e que não te entrega nada de sua persona que faça você tê-lo como um vilão caricato ou um vilão bem construído e com sua motivação clara.

Outro ponto que fica a deseja é questões em aberto que ficam após o filme terminar, desde questões que dariam uma visão mais ampla do que aconteceu no passado e porque Alita estava envolvida; a questão do vilão, e como ele consegue invadir as mentes de terceiros. A impressão que fica é que o filme acaba mordendo o próprio rabo tentando abranger o máximo de elemento básicos e importantes dentro da história de Alita, e joga todos sem ter a necessidade de focar no principal ou construir algo realmente relevante para o crescimento da personagem, ou da trama.

Alita: Anjo de Combate é um grande filme visual e de ação, mas que sofre do mal das adaptações de materiais orientais por produtores e diretores ocidentais. Com um roteiro que parece uma colagem de diversos arcos da trama de crescimento de uma jovem sem identidade que precisa entender seu papel no mundo, o longa entrega uma confusão em construir uma história coesa em seus diversos arcos e subtramas, e não apresenta um vilão descente, ou simplesmente um vilão, já que não conhecemos nada sobre Nova, e do porque temer tanto Alita. O longa entrega um espetáculo visual e repleto de adrenalina, pontuados pelos detalhes, mas com uma história apressada e sem qualquer foco ou roteiro coerente.

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