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Primeiras Impressões | The Umbrella Academy (1ª Temporada)

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Vivemos a era dos heróis. Pelo menos, as personificações dos heróis no cinema e na TV. Mas essa era acabei gerando uma saturação excessiva, com várias produtoras explorando diversos heróis que são parecidos entre si, e acaba criando a sensação mais do mesmo, só que em outra embalagem. Fugir da receita de outras produtoras é o foco de novas produções nos últimos anos, mesmo que recaiam de leve, The Umbrella Academy se encaixa neste perfil de produção de heróis que foge da cartilha, e ainda apresenta um drama repleto de camadas.

Anunciada há um ano, The Umbrella Academy é baseado nos quadrinhos de um grupo disfuncional de super-heróis jovens adotados por um excêntrico bilionário. A história começa em um acontecimento inesperado, quando 43 nascimentos simultâneos acontecem ao redor do mundo, mas nenhuma dessas mães estava grávida no início do mesmo dia, e o excêntrico Sir Reginald Hargreeves (Colm Feoro) adota sete dessas crianças, e as treina para usarem suas habilidades e serem heróis. Anos após se separarem, Reginald morre, e seus filhos se reencontram para seu funeral, e acabam descobrindo que o mundo vi acabar em um apocalipse, e precisam impedir.

Apesar da premissa básica e ultrapassada, já utilizada por diversas outras produção, como todas as temporadas de Heroes, ou qualquer arco de séries de super-herói, The Umbrella Academy inicia sua jornada de forma completamente diferente. Em seu primeiro episódio, a trama se preocupar em apresentar os personagens e a trama base, mas explora muito mais em apresentar as camadas dos órfãos. E isso é o mais intrigante.

Conhecemos o Número Um – Luther (Tom Hooper), o Número Dois – Diego (David Casteñeda), a Número Três – Allison (Emmy Raver-Lampman), o Número Quatro – Klaus (Robert Sheeran) e a Número Sete – Vanya (Ellen Page). O roteiro nos apresenta suas habilidades sem ser algo explícito e didático demais, soltando pistas do que é cada habilidade, mas na grande cena em flashback vemos exatamente como funciona cada habilidade, e as cena de ação – mesmo envolvendo crianças – é bem empolgante.

O ponto alto do primeiro episódio é perceber as diferentes relações de cada um dos personagens com seu falecido pai, e ver como cada um é interessante a seu jeito, e mesmo com apenas um episódio, e vários personagens, a quantidade de camadas cada personagem apresenta ter. Luther parece ter uma questão de lealdade cega a seu pai, e impõe sua liderança aos demais; Diego vai pela viés oposta a Luther, sendo o filho rebelde e rancoroso emocionalmente pelo pai adotivo; Allison já demonstra um descontentamento com a relação fria de seu pai, que tem uma negação em usar suas habilidades atualmente por um incidente do passado; Klaus vive a vida loucamente e sem preocupações, como se fosse um grande desafio a sua habilidade meio mórbida; já Vanya, a única sem habilidades, tem sua personalidade retraída e machucada emocionalmente por não ser igual a seus irmãos marcando sua vida.

Por mais que a história seja voltada para o desenvolvimento de Vanya, a história equilibra todos os personagens em tela, dando tempo para nos afeiçoarmos a todos por diferentes motivos, e tornar difícil a escolha de um personagem favorito. Até mesmo a escolha dos atores e um grande ponto, pois tem-se uma grande diversidade dentro dos personagens: caucasianos, negros, orientais, com origem russa, britânica e americana, o elenco é bem diverso, e com problemas bem comuns, que os humaniza e torna a trama mais próxima do telespectador. E como base de toda produção que usa de flashback, os flashbacks de Umbrella nos apresentam outros personagens que não aparecem, como o Número Seis, que chega como um grande motivo do porque eles podem ter se separado.

O visual da série é outro ponto que impressionam. Fazendo as contas pela sinopse – ou não, já que é mostrado quando que a história se passa na atualidade – os anos 2019 não foi tão inspirado nos anos 1950-1960 do que antes. Dos carros da época, aos vestidos balonetes, e penteados carregados de laquê, a maquiagem carregada e saturada, todo o visual remete a uma produção do final dos anos 1950; até o filtro de algumas cenas mais amareladas reforçam um ar mais cinquentista.

The Umbrella Academy surpreende em sua narrativa, que segue o básico de história de super-heróis, mas acrescenta dramas pessoais e personagens com camadas interessantes de se descobri, que mesmo seguindo o “mundo vai acabar e precisamos impedir” explora novos rumos em uma família disfuncional que desperta memórias dolorosas, e abre feridas de uma infância incomum. Com personagens carismáticos, The Umbrella Academy foge do padrão de super-heróis ao ser diferente visualmente, e impressionar com mistérios mais pessoais e menos superpessoais.

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