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Eu Sou Mais Eu

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Aprender com nosso passado é um artifício muito utilizado nas mídias. Vira e mexe, o recurso do clássico flashback serve como um grande recurso para embasar as atitudes dos personagens nas ações presentes, ou explicar padrões comportamentais dos mesmos em determinados acontecimentos. Além de trazer a nostalgia de ver um período marcante, Eu Sou Mais Eu é mais um filme genérico que explora o bullying em seus primórdios do início do século, e tenta exaltar a beleza bruta e única de cada pessoa.

Na trama, conhecemos a nacionalmente conhecida Camila Mendes (Kéfera Buchmann), uma cantora superficial que é forçada a voltar no tempo, para o ano de 2004, quando ainda era o que muito consideram Loser Esquisita. Sendo obrigada a reviver seus piores momentos, Camila decide mudar seu curso e tentar voltar para seu tempo, e para isso tem a ajuda de seu melhor amigo Cabeça (João Cortez).

Vendo por cima, o filme nós da a sensação de já termos visto ele em algum momento, isso descartando o fato da nostalgia de reviver os anos 2000. De Repente 30, um clássico filme desta época é a referencia mais próxima, só que em vez de voltar para um momento em sua vida, a protagonista avança no tempo; Quero Ser Grande, outro filme bem mais antigo, já usou este mesmo recurso, mas Eu Sou Mais Eu vai pela vertente oposta – que traz uma sensação vagamente familiar.

Porém, o filme se torna superficial ao abordar como Camila consegue voltar para seu tempo, mesmo sendo por sua teimosia em repetir seus erros egoístas, que primeiramente a colocaram nesta posição. Um momento nem interessante – mas que não tem um grande desenvolvimento em tela – é a relação de Camila bom seu avô, que demostrava toda sua vulnerabilidade e seu eu verdadeiro.

O longa é dosado com assuntos bem colegiais, como o bullying, a amizade, e as loucas histórias que acontece nos anos mais insanos, confusos e divertidos de todo mundo. O filme ainda é recheado de músicas icônicas da época, como a própria Ragatanga, que é quase como a música tema do filme, além de elementos clássicos como um celular indestrutível. Eu Sou Mais Eu ainda carrega em seu cerne – mesmo que vem sutilmente- a mensagem de ser quem você é, e não forçar a ser alguém que agrade todos, com boas doses da comédia bem conhecida de Kéfera, conhecida em seus vídeos do YouTube.

Eu Sou Mais Eu é bem superficial quando tenta abordar um crescimento da personagem em grande parte do filme, mas que tem em sua vantagem a nostalgia de uma época bem recente, mas que marcou uma geração, principalmente na música, e que é traz uma versão mais contida de Kéfera do que É Fada, mas não menos engraçada com suas piadas mais sarcásticas e atuais, inseridas numa época diferente.

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