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Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)

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Cuidado! Este artigo contém Spoilers de Vingadores: Ultimato

Construir um grande saga nos cinemas não é para muitos. Alimentar seus fãs que consomem sua mitologia, seus personagens, e toda informação existente e inexistente é um trabalho bem exaustivo, e manter uma franquia por anos com o mesmo engajamento – e até superior – é um trabalho difícil. Mas a Marvel Studios conseguiu o impensável ao nos entregar a exatos um ano Vingadores: Guerra Infinita, um filme corajoso por ser um filme focado no antagonista Thanos (Josh Brolin) e serviria como início do fim da saga do grupo de heróis que defendem a Terra, e agora o Universo, em Vingadores: Ultimato.

Conseguir reunir mais de 30 atores e atrizes, com trabalhos diversos num filme foi a tarefa mais árdua que Disney e Marvel fizeram, e o que sobrou para Vingadores: Ultimato foi concluir a jornada até aqui dos mais de 20 filmes e 11 anos do Universo. E o longa consegue de forma bem trabalhosa, concluir a jornada dos personagens, e mesmo que muitos personagens fiquem de fora por muito tempo, quase descartáveis, os seis heróis originais do primeiro Vingadores tem suas histórias bem concluídas.

Dando seu parecer de onde estava o Gavião (Jeremy Renner), a história inicia com a grande motivação de um dos Vingadores que não possui habilidades sobrehumanas, em se tornar um vigilante literalmente Vingativo, o Ronin. A história não explica alguns fatos imediatos a Guerra Infinita. Muitas informações precisam ser conhecidas antes de começar Ultimato, ou forçam o telespectador a dedução lógica do que aconteceu, como o fato de Carol Danvers (Brie Larson) já se estar presente com os Vingadores remanescentes, sem qualquer explicação da falta de questionamento sobre sua presença, mas para quem tenha assistido ao seu filme solo tenha maior compreensão com a cena pôs-creditos; mas Ultimato consegue seguir uma linha de raciocínio coerente, dentro de sua história, até sua conclusão, mais do que épica, sem esquecer a essência brincalhona da Marvel.

O filme segue os mesmos moldes de Guerra Infinita, lembra muito uma saga tirada direto dos quadrinhos, só que em vez de múltiplos locais simultâneos, ficamos preso aos acontecimentos na Terra, até metade do filme, lidando com as consequências do filme anterior, então partindo para mundos diversos. À deriva no espaço, Tony Stark (Robert Downey Jr) acaba criando um vínculo com Nebula (Karen Gillian), enquanto tentam retornar para a Terra, mas inprevísto os deixam preso no espaço, até que são salvos por ninguém menos que Carol Danvers. A partir daí, o primeiro ato – antes do próprio título do filme aparecer – é todos partirem em missão atrás de Thanos para recuperar as jóias, e reverter suas ações, o que não tem um resultado positivo para os heróis.

Com a culpa de não conseguirem resolver, saltamos cinco anos desde da Aniquilação, vem do auto-resgate quase miraculoso ao acaso de Scott Lang (Paul Rudd) preso no Reino Quântico desde Homem-Formiga e a Vespa, uma segunda chance dos Vingadores conseguirem recuperar o que perderam. Como bem especulado ao longo deste ano, a solução é a viagem no tempo, e tudo está guardado dentro do Reino Quântico, e recuperar as Jóias se torna a missão dos Vingadores, que agora se tornaram uma equipe intergalática que tenta controlar não apenas a situação na Terra, mas em todo o universo. A missão fica em recuperá-las em um período que não interfira na linha dos eventos que já conhecemos, já que recuperá-las no presente é algo impossível. E é neste ponto que mesmo explicado com todas as palavras, o longa pode se tornar confuso e acabar gerando paradoxos dentro de sua narrativa.

Lidar com viagens no tempo é um grande tabu. Saber lidar com criações de paradoxos inexplicáveis, questões dúvidáveis e com explicações temporais confusas são grandes desafios, mas dentro do filme essa explicação parece ser tomada de forma rápida, mesmo que tenhamos três horas de filme, questionando todas as informações sobre viagem do tempo de filmes e séries conhecidas; a quantidade de informações sobre viagem no tempo que já exista, ainda causa estranhamento, e muita confusão. Apesar de satisfatório, assistir mais de uma vez pode ajudar a total compreensão. Mas ao ver mais pessoal, essa questão provoca tantos furos narrativos, que se torna um grande problema para toda a história.

Como Guerra Infinita foi o filme focado em Thanos, conhecemos ele mais profundamente, entendemos suas motivações e até concordamos em certo ponto com suas ideologias, Ultimato é mais o filme dos Vingadores, mais especificamente os Vingadores originais no cinema e nos dá o final de suas trajetorias. Com o peso da culpa que Thor (Chris Hemsworth) carrega consigo após não ter conseguido impedir Thanos na Nova Asgard, e sua deterioração social dentro de seu povo sobrevivente e sua depressão acaba afetando sua liderança e sua autoestima; a máscara de estabilidade emocional que Natasha (Scarlett Johansson) veste ao tomar a liderança pós a aniquilação, e tentar manter o universo bem amparado; o espírito de vingança que Clint desenvolve aos sair eliminando todos aqueles que ele julgou não dignos de terem sobrevivido ao Thanos, depois de ter perdido toda sua família; Hulk e Benner (Mark Ruffalo) conseguem encontra o equilíbrio entre suas diferenças, com Benner abraçando o lado de Hulk, e vice versa, nos dando o Professor Hulk.

Já Steve (Chris Evans) e Tony, os pilares principais de todo o MCU, suas jornadas foram de abstenção do ocorrido, a primeiro momento após o inevitável resultado, mascarando seus medos e tentando seguir em frente, até quando são necessários para fazerem algo para reverter as ações de Thanos, quando a chance aparece. A partir daí as questões deixadas ao longo dos anos reforçam a personalidade e a confiança dos dois heróis que culmina na troca de papéis no fim apoteótico do longa, com um sacrifício e uma passagem de manto.

Com a viagem no tempo, cada personagem principal passa por um momento no passado que o reconecta aqueles que já se foram, ou enfrentam uma questão moral dentro de sua missão. Além de ser um recurso para revisitar momentos que marcaram os dez anos do Universo Cinematográfico da Marvel, o longa explora as trajetórias dos personagens que chegam a conclusão digna para cada um em Ultimato. Mesmo que eu tenha um problema bem pessoal ao se tratar de viagem do tempo, o longa entrega não apenas um filme épico nos momentos certos, com cenas de ação tão bem feitas na batalha final com ar de O Retorno do Rei e a Batalha de Hogwarts, mas entrega um final merecido para seus personagens, com grandes revelações e surpresas tão bem guardadas que qualquer menção, estragaria toda a emoção de ver em tela.

O final traz uma batalha sem igual de Thanos versus Homem de Ferro, Capitão América e Thor, num show de ação, além de uma batalha tão grandiosa que resume bem todos os filmes da Marvel dentro deste universo. Ainda proporciona grandes surpresas, com retornos, reencontros emocionantes, e um “Ela não está sozinha” em escalas maiores e ainda mais significativa. O filme é feito para chorar, para rir (muitas vezes), se exaltar com as cenas de ação, se emocionar com cenas bem reflexivas, e deixa muitas questões para serem exploradas na próxima fase, sem a necessidade de se apoiar na grandiosa marca Vingadores, e sem uma cena pós-crédito, dizendo que é o fim da Saga Infinito.

Vingadores: Ultimato chegou para encerrar uma jornada de mais de dez anos nos cinemas, e não apenas entrega mais uma vez uma grande aventura dos quadrinhos para o cinema, como coloca a Mjolnir em cima da história começada lá em 2012 e se consagra como um filme feito para o fã que acompanha há tanto tempo, desde o primeiro Vingadores, promete fazer muitos chorarem com alguns finais, vibrarem por surpresas inesperadas, se emocionarem pelo sentimento de seus personagens e ainda garante muitas risadas com o estilo Marvel de fazer cinema blockbuster com mais de três horas de ação.

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Vingadores: Ultimato

9.5

Redefinindo o conceito de filme épico, Vingadores: Ultimato entrega um filme para seus fãs que acompanharam por mais de dez anos os filmes do MCU, e condensa estes anos em suas 3 horas de duração, mesclando do drama, a comédia característica da Marvel, a ação em escalas hecatombicas, que respeitam os personagens, suas trajetórias e principalmente o fã.

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