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Creed II

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Todo herói tem seu nemesis, um oposto que muitas vezes é tão semelhante em diversos aspectos que ficamos em dúvida pra quem torcer. Harry tem Voldemort, Luke tem Darth Vader, e Creed tem Drago. A sequência do revival do ícone do boxe da década de 1980 nos cinemas, Creed II se assemelha a muitos elementos do segundo Rocky, mas desenvolve uma camada mais humana de Adonis, Rocky, Ivan e todos os personagens.

Na história, Adonis (Michael B. Jordan) se consagra campeão e um dos grandes nomes do boxe da atualidade, quando uma figura importante do passado de sua família ressurge querendo vingança. O longa, por mais que tenha a temática do esporte de luta, acaba tomando outro viés, que toma quase todo o desenvolvimento do longa.

Apesar de esperarmos por cenas de lutas bem coreografadas, Creed II entrega uma camada mais humana de Adonis, que sobe até o topo de seu sonho, e acaba cego pela sua arrogância e desejo de vingança sem fundamentos, o que do derruba de seu pedestal. O longa é uma grande jornada de humildade e autoconhecimento do próprio personagem, que a primeiro momento vive em função de seu “acerto de contas” com o passado, e passa a não entrar no ringue por terceiros, mas por si mesmo.

Mas não apenas temos um crescimento mais humano para Adonis. Bianca (Tessa Thompson), o próprio Rocky (Silvestre Stallone), Ivan Drago (Dolph Lundgren) com seu filho Victor (Florian Munteanu). Mas todos tiveram algo em comum: a família. Bianca continua atrás de seus sonho de ser uma cantora, quando é surpreendida com uma notícia que mudará os rumos da família Creed; Rocky se questiona sobre se reconectar com seu filho em volta do pesar de ter perdido sua esposa; já os Dragos buscam o reconhecimento de sua pátria que os desonrou após perder para Rocky, quando o laço materno que os abandonou ressurge.

O filme foi vendido como um filme sobre a família, e isso é entregue a todo tempo, e a questão da importância da família nos momentos mais desafiadores da vida, seja pelo desconhecido ou pela dificuldade que vão enfrentar é bem presente e rege toda a narrativa. O ponto principal é a superação de Adonis a tudo que a família Drago representa na história de sua própria família, assim como o que vencer o americano significa para Ivan que perdera o respeito de seu país e também sua esposa, e como todos estes fatos reverberam em Viktor, mesmo que rasamente desenvolvido.

Creed II tem o êxito de entregar o que se propôs, e mostra um desenvolvimento mais humano do personagem título que tem como o ringue uma grande analogia para os desafios mais simplórios da vida, mas que deixa de lado um desenvolvimento maior para seus antagonistas, que mesmo que não acostumado estar em frente às câmeras, poderia tem um grande arco materno.

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