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Titãs (Titans) – 1ª Temporada

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Para aqueles que tem a mesma faixa etária que é minha sabe o prazer de chegar da escola, ou se preparar para ir, tendo um panteão de ótimas animações na televisão. Dentre as diversas animações, muitas ficaram marcadas e lembradas por todos, e ditaram muitos estilos e narrativas que seriam repetidos em formas diversas no futuro. Um destas animações não só marcou como um grupo jovem de super-heróis deveria ser, como apresentou um grupo de super-heróis que segue até hoje na mídia: Os Jovens Titãs, que ganhou sua primeira série live-action, Titãs, pela plataforma exclusiva da DC, o DC Universe, e é distribuído aqui no Brasil pela Netflix.

Depois de sua série animada clássica, participação nas versões mais adultas em filmes animados da editora, e uma versão mais infantilizada que extrapolou a TV e foi para nós cinemas, a série live-action dos Titãs desde seu anúncio causou, principalmente pela escalação de um determinado personagem. Mas polêmicas a parte, a primeira temporada – finalizada prematuramente – consegue trazer uma nova abordagem ao grupo jovem de heróis, além de solidificar a plataforma DC Universe com um potencial para produzir grandes séries de qualidade.

O grupo formado por Dick Grayson, o antigo Robin (e futuramente Asa Noturna) de Brenton Thwaites, a Koriand’r ou Estelar de Anna Diop, o Mutano de Ryan Potter e a Ravena de Teagan Croft tem uma nova origem de formação do grupo em sua primeira temporada, que é trabalhado assim que os quatro se unem no episódio de apresentação da Patrulha do Destino. O ponto de partida vem de Rachel/Ravena, que quando presencia a morte de sua mãe adotiva parte atrás de ajuda do garoto de seus sonhos, esbarrando em Dick, e eventualmente são adicionados Kori e Garr.

A série entrega uma narrativa bem violenta, e questiona isso como um artifício e dilema de Robin, e tem como grande alegoria, nesta temporada, apresentar a transição de Robin para Asa Noturna, colocando em Dick os questionamentos de invencibilidade e sentimento de liberdade ao colocar a máscara do pássaro. Do outro lado adulto, Kori começa buscando respostas de sua vida, e acaba sendo uma grande surpresa dentro da série, uma vez carregado com o haterismo dos fãs para sua escolha como a Tanagariana, mas Anna Diop além de surpreender e mostrar que é bem diferente da fofa Estelar das animações, é uma mulher extremamente forte – perdão pelo trocadilho – e apenas na cena do bar mostra a posição da personagem dentro da trama.

Mutano mantém sua personalidade mais engraçada na trama, mas tudo que o circunda é tão carregado que sua comédia é contida, e o ator entrega um personagem mais carismáticos do que engraçado, e isso é positivo. O que fica esquisito é sua limitação em sua metamorfose em apenas Tigre, e não na variedade de animais que consegue se transformar. Já Ravena (que ainda não é a Ravena, como nenhum outro assumiu o nome clássico, a excessão de Dick) é a peça central da primeira temporada, e toda sua capacidade é diluída ao longo da temporada, e parecendo bem gótica como nas animações, seu humor não é negro, e insere a questão da dualidade da força que vive dentro de si.

Titãs nos quadrinhos tem antagonistas muito interessantes, em sua maioria tudo vindo do Batman, mas em sua primeira temporada a série se foca em inserir novos vilões, encobrindo o real vilão da série, que mesmo previsível, não teve grande impacto. É uma pena que foi uma passagem rápida da Família Assassina, e a resolução da Companhia que os fabricava foi rápida, mas são dois pontos marcantes dentro da narrativa. E é no episódio onde conhecemos quem está por trás da incursão de raptar Rachel que temos um episódio muito bom, visualizando os limites psicológicos de cada um.

Titãs abusa de usar referências e imagens distintas dentro do universo e deixa claro que você já conhece aquele mundo, só que estamos vendo o lado mais periférico dos heróis da casa. Temos referências a tríade da DC, temos uma consolidação de rostos para personagens mais secundários da editora, e a série tem êxito em alternar questões pessoais dos personagens para apresentá-los de uma forma totalmente diferente.

Titãs não é uma obra prima das séries de super-heróis, mas ela aposta em um grupo que originalmente deveria ser inserido em um público mais jovem, em colocá-los em uma perspectiva mais bruta e sangrenta, além de estabelecer novas origens para eles, mesmo que mantendo muitos elementos clássicos em suas histórias. Todos os personagens, dos principais, aos coadjuvantes, tem um carisma essencial para te prender nas ações menos brutais, e mesmo com cenas escuras nos momentos mais decisivos, Titãs é um chute certeiro para emplacar a plataforma da DC.

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