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O Manicômio (Hellstatten)

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O boom dos desafios na plataforma de vídeos YouTube foi uma febre entre os criadores de conteúdos. Mas a partir deste momento, se levantou o questionamento sobre o limite que os youtubers vão para conseguir um like, um comentário, ou um compartilhamento. Levar aos limites de produtores de conteúdo em busca de sua fama, é o gatilho para uma noite perigoso em O Manicômio, filme alemão da Fox, com distribuição da Paris Filmes que estreia a temporada 2019 de terror.

A sinopse é simples: um grupo de criadores de conteúdo de uma rede de webvídeos resolve passar vinte e quatro horas dentro de um antigo Manicômio abandonado, que carrega uma longa história de tortura e assombrações. Mas as coisas saem do controle quando uma entidade que acreditavam ser história para afastar as pessoas do local, começa a ameaçar a vida deles.

Filmado no estilo found-footage, a trama viaja entras as diversas câmeras existentes na vida destes jovens: das câmeras de celulares, as próprias câmeras de vigilância, câmeras térmicas, a história é construída do ponto de vista deste objetos tão presentes em nossas vidas, e se assemelha a outros filmes clássicos de terror que se utilizam da mesma técnica. Como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, o longa ganha o tom mais assustador através das câmeras dentro da narrativa.

Além da técnica de filmagem acentuar a narrativa, a própria ambientação por si só já é um prato cheio para as criações de cenas de terror. Sujeira, sangue, um prédio inteiro caindo aos pedaços, passagens secretas e fossos inesperados, em um filme que já cria a tensão e o pavor, limitados as cenas pelas câmeras da história ficam ainda mais acentuados as cenas de perseguição, que começam após muito tempo da expectativa de alguma coisa acontecer que a narrativa traz.

A pegadinha do filme chega na mensagem que ele quer levar, e a virada quando se descobre quem está por trás dos ataques. A superficialidade dos personagens são o grande motivo para eles serem perseguidos, e a mensagem da busca pelas curtidas, serem relevantes dentro da plataforma, ou apenas a superficialidade de suas ações e mensagens para seu público são apenas apresentadas, mas não tem grande impacto, apenas um gatilho.

O grande problema do longa é que ele não dá espaço para criar empatia certa com os personagens para causar algum impacto quando chegar a vezes deles em serem pegos, e fica uma sensação de descaso, apenas ficamos mais fixados na cena aleatórias de ambientes vazios esperando alguma atividade. Apesar de não ter um grande respaldo dos personagens para criar uma conexão, o filme é um bom filme para amantes de perseguições sobrenaturais.

O Manicômio tem êxito em utilizar um recurso clássico para amplificar a sensação de tensão e de terror ao utilizar as câmeras dentro da narrativa sua perspectiva, mas não cria uma conexão suficiente do telespectador com os personagens que leve em consideração quando alguma atividade acontecer com eles, e mesmo com uma virada de roteiro dentro da virada de roteiro, com uma crítica a superficialidade da busca incessante pela relevância dos jovens dentro das mídias sociais, O Manicômio deixa de explorar elementos mais relevantes dentro da estadia noturna.

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