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Wi-Fi Ralph: Quebrando a Internet

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Se é para fazer marmanjo chorar ou questionar assuntos nunca antes externalizadas, a Disney está em nossas vidas para realizar está função. Nos relembrar ou questionarmos sobre assuntos que não ganham voz é a perícia da casa do rato, em construir mundos com uma profundidade e complexidade que beira ao simplismo e a genialidade nos detalhes, e Wi-Fi Ralph: Quebrando a Internet é um prato cheio para questionar sobre nossa utilização de uma das ferramentas mais presentes no mundo atual: a Internet, e suas várias camadas e temas inseridos sutilmente num roteiro repleto de camadas narrativas.

Vivendo a amizade construída no primeiro filme, Ralph e Venellope seguem suas vidas do nascer do sol para mais um dia de trabalho em seus jogos, até a noite, quando se encontram no Tappers para beber e conversarem sobre qualquer coisa. Mas Venellope conta para Ralph seu descontentamento com as limitações de seu jogo, que não existe qualquer novidade, todos os níveis e pistas especiais já estão desbloqueadas, e que anseia por novidades. Tentando ajudar sua amiga para conseguir uma novidade em seu jogo, Ralph indiretamente provoca – com influências mais diretas do mundo real – o desligamento do Corrida Doce, devido a quebra do volante-controle, e para solucionar mais este problema, ele tem a brilhante ideia de viajar para a internet, e buscar a única peça para consertar o jogo de Venellope.

Wi-Fi Ralph conseguiu algo – ou fez algo bem recorrente – que a própria Disney é perita: construir mundos, personagens e ambientes tão incrivelmente coesos que personificam ideias abstratas e mundos mágicos que perambulam pelas mentes mais criativas. Tivemos um retorno às origens da Disney com Divertida Mente, onde este longa teve êxito em personificar e ambientar conceitos tão abstratos como a mente humana, que apresenta tantas camadas que encanta o público alvo da empresa do rato, como também encanto um público mais velho, devido sua complexidade e interpretação destes fatos incapazes de serem visualizados, e deixam para este públicos os grandes questionamentos e contemplações sobre diversos assuntos.

O grande ponto da sequência de Detona Ralph é o questionamento sobre as mudanças em nossas vidas, presentes na narrativa como o anseio de Vanellope em novidades, a inserção do wi-fi no arcade, e toda a possibilidade de um universo totalmente novo e inexplorado. Os diretores tiveram um grande êxito em construir a ideia da internet e dar vida e forma os diversos conceitos abstratos do mundo da World Wide Web. Do colorido deste mundo, das formas e correlações dos prédios do mundo real para o mundo virtual, das representações de algoritmos e programas do nosso cotidiano em forma de personagens, o longa tem este êxito em dar vida a estes conceitos.

Toda essa ambientação ganha o status de personagem para a trama, que ajuda no desenvolvimento dos personagens. A simplicidade do tema de mudanças pode ser algo infantilizado, mas que é algo tão comum na vida adulta que a trama conversa com diversos públicos. O fato da separação de uma grande amizade pode ser simples, mas ela desenvolve o fato da amizade se tornar corrosiva e destrutiva, e como mesmo separados, a maixade possa perdurar.

E é esta questão do fato de Vanellope encontrar em Shank (Gal Gadot) um exemplo para tudo que buscava, além de ser alguém a se inspirar. Junta o fato de seu jogo estar com os dias contados, e vendo as infinitas possibilidades que a internet traz com atualizações intermitentes, Ralph vê como Vanellope se encanta e sente sua amizade balançada, e para conseguir consertar o jogo a tempo, cai no mundo dos criadores de conteúdo e memes: o BuzzTube.

Ao entrar neste mundo o longa faz uma grande crítica social ao mundo tóxico da produção de conteúdos online e o retorno – positivo e principalmente o negativo – dentro da rede. Para o bem ou para o mal, o caminho rápido de conseguir o volante-controle o faz criar grandes problemas clássicos dentro da internet, e toda a solução do grande dilema é uma grande solução de psicologia e terapia de amigos.

Wi-Fi Ralph: Quebrando a Internet tem um grande êxito em construir um mundo belo, coeso e que instigue a exploração mais aprofundada de conceitos tão abstratos, e tem uma construção de dilemas de mudanças necessárias quando encontramos um limite em nossas vidas, e como uma amizade se tornar corrosiva ao tentar manter as coisas como são. De participações especiais da realeza da Disney com uma conversa tão atual, a personificações de ambientes conhecidos do mundo real para os principais aplicativos e redes sociais (como a personificação do Instagram como um museu, a coleta de curtidas, a versão de mercado de leilões da eBay, entre outras), o longa diverte e desperta a discussão sobre assuntos referentes a internet e a amizade que encanta seu público alvo e o público não alvo também.

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