Nova animação original da Netflix, Castlevania, inspirada no jogo homônimo criado pela empresa japonesa Konami, teve sua primeira parte da primeira temporada liberada hoje pela plataforma. Sim! Primeira parte da primeira temporada, que contará com mais 8 episódios.

Baseado no Castlevania III: Dracula’s Curse, o primeiro episódio foca em introduzir a ameaça que Drácula passa para todos os habitantes de Wallachia. De forma introdutória, somos apresentados a um Drácula recluso em seu castelo, recebendo uma jovem humana com determinação em se tornar médica para ajudar as pessoas de sua vila. Após anos de convívio com a mesma, já somos transportados para o que seria a morte de sua amada, acusada de bruxaria e pacto com demônios. Ao descobrir que sua amada havia sido condenada por ajudar as pessoas com o conhecimento adquirido, Drácula com raiva, decide se vingar de cada humano na face da terra, emergindo um exército das trevas para acabar com todos.

A partir do segunda episódio então temos o que seria a formação do time que tentará liquidar as forças sobrenaturais de Drácula, culminando no final com personagens distintos partindo para derrotar Conde Vlad.

Essa primeira parte, de um modo geral, e repetindo minhas palavras, foi introdutória. Ela se focou em apresentar a ameaça da história, apresentar rapidamente o trio que estará envolvido nesta jornada, não aprofundado os personagens, mas dando uma bagagem suficiente para você se conectar com cada personagem, e se importar minimamente com cada um.

O que parece começar bem lentamente, com o passar dos episódios começa a tomar forma de algo grandioso, mas nem tanto, e até dando a impressão que estão segurando para mostrar mais cenas que impressionarão. É uma série animada bem sangrenta e violenta, já mostrando um genocídio sobrenatural logo no primeiro episódio, e que você espera que seja devido ao antagonista da história ser o Conde Drácula.

Em termos técnicos, Castlevania é uma animação que me lembrou Avatar: A lenda de Aang em questão dos traços escolhidos: um hibrido entre o anime japonês e a animação mais ocidental. A escolha de manter a animação em tons escuros, sempre puxado para o vermelho e o negro deu o tom sombrio e sanguinolento que a trama quer passar, foi um acerto grande.

Quanto a estrutura dos personagens principais, é ainda cedo para determinar se eles são bem construídos ou não. Quatro episódios de 25 minutos cada não nos deixa uma margem boa para determinar isso.

Trio de Castlevania: Trever Belmont, Sypha Belnades e Alucard (Adrian Fahrenheit)

Trevor Belmont se apresenta como o que podemos dizer como um cretino numa taverna. Ele sempre ressalta que é um desgarrado da humanidade, e que viaja de cidade em cidade para sobreviver. Sempre esconde o brasão de sua família por razões óbvias, e sempre que descoberto como um Belmont, é quase morto. Sua indiferença quanto ao perigo que cerca toda Wallachia, tanto os sobrenaturais quanto a imposição feita pela Igreja, pode fazer quem assiste não gostar deste protagonista, mas ao decorrer do episódio, você começa a ver certa humanidade e apreço que ele tem em defender os mais fracos. Seu background já é revelado dando um motivo pela sua indiferença: sua família foi excomungada e tratada como uma família de hereges por combaterem as forças sobrenaturais. Mas só. Nada mais é abordado.

Quanto aos dois outros personagens do trio, Sypha Belnades e Alucard, quando são apresentado já chegam com o ingrediente mais mágico e sobrenatural, respectivamente, dando ao peso do guerreiro de Trevor certo alívio e elegância. A entrada de Alucard trouxe a leveza e elegância, característico de sua personalidade, para a narrativa da história. E a luta entre Trevor e Alucard, quando descobre a real natureza de Alucard, é uma das lutas mais bem feitas nesta temporada. Com beleza e graça.

O único ponto que acaba com a série como um todo, foi a decisão de separa a temporada em dois. Isso não é o último filme de uma franquia cinematográfica de sucesso para ser separado em dois para conseguir mais lucro! Essa lacuna que a primeira parte de Castlevania deixará até ser lançada sua segunda parte em 2018, é um tiro no pé da Netflix, já que essa primeira temporada tendo poucos episódios, e ainda dividi-lo em dois não conseguirá fazer ser memorável. Quando a história começa a engrenar… Continua na próxima parte, no ano que vem.

Seu começo bem demorado não seria tão sentido se não houvesse essa ruptura, que nos deixa com metade da série uma enrolação, e a outra metade os personagens correndo para resolver o problema pontual. Seria considerado um grande episódio, como acontece com o Digimon Adventure Tri, mas diferente do anime, Castlevania ainda não cativou um público na TV para apresentar uma série curta, com espaços entre temporadas longas, já que ninguém tem uma noção do universo apresentado, as motivações dos personagens, suas limitações e a interação entre eles previamente estabelecidas, e esperar que quando a segunda parte seja lançada, todos lembrem do pouco apresentado nesta primeira parte.

2.8
Crítica | Castlevania: Primeira parte da temporada 1
Palavra Final
Sendo um prologo para o desenvolvimento da mitologia adaptado do jogo, os quatro episódios da primeira temporada apresentam os personagens, dão o contexto que nos encontramos, enquanto que o visual mais adulto e sombrio não tem medo de mostrar sangue e genocídio sobrenatural
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